Criação incrementa a renda rural
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sábado, 20 de dezembro de 1997
Cláudia Barberato 
Segredo da criação está na higiene e na compra de aves saudáveisCresce a procura dos produtores por alternativas que possam aumentar a rentabilidade da propriedade rural. O agricultor Sílvio Pascueto, de Cambé, por exemplo, está entre os cinco produtores que encontraram na criação de codornas a alternativa para aumentar a renda rural. Eles fazem parte do grupo que fornece ovos para a integração da Indústria de Ovos Maranata, de Primeiro de Maio, no Norte do Paraná.
Pascueto, com propriedade em Cambé, faz cultivo de soja e trigo. A criação de codornas foi iniciada há dois meses no Sítio São Luiz, para conseguir uma renda paralela. Hoje, só agricultura não dá mais para viver. O agricultor conta que foi preciso investir cerca de R$ 15 mil para iniciar a criação. O dinheiro foi gasto na compra das aves, gaiolas, materiais elétricos, hidráulicos e outras despesas. A madeira, para construção do barracão, já existia na propriedade e a mão-de-obra é dos caseiros do sítio, Lourival e Cleonice Andrade.
Mercado seguroO agricultor de Cambé calcula que na média anual a criação de codornas de postura lhe dará uma renda mensal entre R$ 900,00 e R$ 1.000,00. Hoje ele tem 6 mil aves em postura (mas tem espaço no barracão para mais 3.500), com uma produção diária de ovos de 5.500 unidades (mais ou menos). Mesmo com o investimento necessário para as instalações (construídas em cima de um antigo terreirão de café), Pascueto acredita no mercado certo para o ovo da codorna. Ele vende a R$ 0,22 a dúzia de ovos com prazo de pagamento de 28 dias.
Zootecnista faz integração e garante que criador pode obter boa renda
Sobre a integração garante que é um meio mais garantido e seguro de colocar o produto no mercado. Fazendo particular, até se poderia ganhar mais em um mês ou outro, mas não há garantias para o produtor. Pascueto já tentou o maracujá como cultura alternativa, tendo a promessa de um comprador, mas, como esse não comprou a produção, ele acabou perdendo dinheiro.
Papel da extensãoA Emater, órgão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento Estado, como entidade de extensão rural, tem promovido cursos sobre cultivo e criações alternativas que possam aumentar a renda do produtor. O tema criação de codornas para postura, por exemplo, foi tratado na última quarta-feira, dia 17, em Londrina, durante curso ministrado pelo zootecnista André Garcia Gonzales, proprietário da Indústria Maranata, que faz integração com cinco produtores do Norte do Paraná.
O zootecnista tem sistema de criação integrada de codornas no qual vende as aves, as gaiolas e presta assistência técnica. A integração tem até agora, com um ano e meio de funcionamento, cinco produtores, com um plantel de 30 mil aves e uma produção diária de 200 quilos de ovos para conserva. A indústria de conservas fica em Primeiro de Maio, mas será transferida, em janeiro, para Cambé, com expectativa de aumento para 500 quilos de ovos em conserva por dia.
Uso de bebedouro automático (detalhe em amarelo) facilita higienização
AdaptaçõesPara iniciar a criação, o zootecnista avisa que o produtor deverá ter um capital para compra das codornas e das gaiolas. Para as instalações não há necessidade de muitos gastos, já que se poderá aproveitar o que existe na propriedade fazendo apenas algumas adaptações. Tem produtor, segundo Gonzales, que usou antigas cocheiras de gado para a instalação da criação; outros fizeram barracões com madeira usada em antigos terreirões de café. Uma das exigências é que o barracão tenha o pé direito com 2,5 metros de altura e seja aberto nas laterais.
As aberturas laterais devem ter lonas, para controlar a ventilação, e telas para evitar possíveis fugas de um animal que saia das gaiolas. Nas pontas, o barracão deverá ser fechado. Também é importante observar o sentido em que a instalação será construída; sempre Leste-Oeste, para evitar muito sol e ventos frios. A iluminação deverá ser feita com lâmpadas (de 60 watts) a cada três metros de toda a instalação.
Cleonice, do Sítio São Luiz: dedicação no trato das aves é constante
Numa gaiola são colocadas 20 aves e há um compartimento para ração e um bebedouro. Na integração Maranata os produtores estão usando o bebedouro automático. A vantagem é reduzir desperdícios de água e melhorar a higiene. Além disso, de acordo com o zootecnista, pode-se controlar a dosagem de algum suplemento vitamínico ou remédio a serem fornecidos às aves.
Ele reconhece que os bebedouros automáticos são mais caros. Mas compensa o investimento porque facilita a limpeza. A água é um foco de doenças e um descuido na limpeza pode facilitar a entrada de enfermidades na criação.
Higiene é fundamentalA limpeza das instalações deve ser feita três vezes por semana; fora disso poderá comprometer a saúde dos animais. Já os comedouros devem ser limpos toda a manhã, antes de repor a ração (colocada três vezes por dia). Um suplemento vitamínico é fornecido a partir do sétimo mês de vida da ave, período em que a produção de ovos começa a baixar.
Após o nascimento as aves ficam em baias até os 14 dias. Depois vão para as gaiolas de recria e, a seguir, a partir dos 28 dias, para as gaiolas de postura. A ração inicial é fornecida até os 35 dias de vida; depois é necessário uma ração de postura.
Propriedades protéicas do ovo, in natura ou em conserva, atraem o consumidor
A ração inicial, explica o zootecnista, é mais protéica e a de postura mais energética. As aves entram em postura aos 45 dias e vão atingir o pico de produção até os 90 dias e permanecem produzindo até os 12 a 15 meses. De 100 codornas, por exemplo, no pico de produção, conseguem-se 98% de sucesso na postura.
A coleta de ovos para a industrialização é feita semanalmente. Depois de chegar à indústria os ovos ficam no descanso por cinco dias e a seguir são cozidos, descascados em máquinas próprias, selecionados e depois embalados em vidros para conserva.
A produção da integração, por enquanto, tem apenas o SIP, serviço de inspeção do Ministério da Agricultura que permite a comercialização somente no Paraná; mas o proprietário já deu entrada no pedido do SIF, no Ministério da Agricultura, para obter direito de vender para outros Estados. A integração também faz a venda dos ovos in natura para restaurantes e supermercados.


