Criação do bicho da seda volta a crescer
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sexta-feira, 19 de outubro de 2001
Carolina Avansini<br> De Londrina 
Desanimados com os altos custos e a baixa remuneração proporcionada pela produção de grãos, agricultores do norte-paranaenses voltaram a investir na sericicultura, criação de bicho-da-seda. Na região de Borrazópolis (84 km ao sul de Apucarana), que reúne 17 municípios, aumentou em 56% o número de produtores que entraram na atividade.
Em todo o Paraná, a quantidade de produtores subiu de 5.952 para 7.252, totalizando crescimento de 18%. Com esse reforço, a produção estadual deverá atingir, no mínimo, 9,2 mil toneladas de casulo no final da safra, que se encerra em julho do ano que vem. Na temporada passada, o Paraná obteve 8.854 toneladas de casulos. De acordo com a Associação Brasileira de Fiações de Seda (Abrasseda), o Estado é o maior produtor brasileiro, respondendo por 89% da produção nacional.
Negócio familiar O técnico Moacir Andreolla, da Emater de Cambira (19 km a oeste de Apucarana), informou que o bicho-da-seda gera mais renda em menor espaço, necessitando, porém, de mão-de-obra disponível durante todo o dia. ''Por isso, é adequado para pequenas propriedades familiares'', opinou.
O ciclo até a formação do casulo, que é o produto comercial da cultura, leva de 25 a 28 dias, característica que garante a obtenção de oito safras anuais. ''Os sericicultores recebem pagamento durante todo o ano, ao contrário da safra de grãos, cuja remuneração é anual'', comentou. O período produtivo começa em setembro e termina em julho do ano seguinte.
Renda atrativa A atividade é praticada há dez anos na região de Borrazópolis. De acordo com Moacir, a produção é integrada com a unidade da cooperativa Cocamar no município, que fornece insumos e larvas e compra os casulos. O custo de cada caixa com 40 mil lagartas é de R$ 50. Os cásulos resultantes rendem R$329, garantindo um lucro líquido de R$279. O preço médio pago por quilo de produto é R$4,70, mas se o casulo for de qualidade, a cooperativa paga prêmios que aumentam esse valor.
''Se o produtor vende duas caixas por mês, ganha o equivalente a um salário de R$500. É uma quantia alta para pequenas propriedades'', revela, lembrando que a sercicicultura também é praticada em 12 assentamentos do norte do Estado, garantindo a mesma renda de R$ 500 para as famílias de antigos sem-terra.
Investimento A estrutura necessária para produção de bicho-da-seda inclui a lavoura de amora, cujas folhas alimentam as lagartas, o barracão que abriga os animais e um depósito para os ramos da planta, que são colhidos diariamente. Na região de Borrazópolis, a Cocamar financiou R$1,2 mil para os produtores construirem os barracões.
Também ajudou na compra das cartelas - que acomodam as lagartas na fase de formação de casulo - e da máquina peladeira, que retira os casulos da cartela. ''A cooperativa investe porque tem interesse em comprar a produção'', afirmou João Cardoso da Silva Neto, técnico da Cocamar que trabalha junto com Moacir. O pagamento será feito em casulos, com um ano de carência e sem juros. ''A cada mês, descontaremos 30% da produção'', explicou.
Os técnicos consideram que cada alqueire de amora é suficiente para criar três caixas de lagarta por safra. Para esse espaço, informaram que é necessário investir R$ 4 mil a R$ 5 mil.
Produtor satisfeito Em sua propriedade de nove alqueires em Cambira, o produtor Gentil Marafon cultiva um alqueire de amora e cria uma média de cinco caixas de lagarta por safra. No restante do sítio, ele planta café, soja e cria vacas de leite. Na sericicultura há quatro anos, está satisfeito com a remuneração. ''Em um alqueire de amora, ganho o mesmo que em oito alqueires de grãos. A despesa é mínima e o lucro é bom'', considerou.
Ele investiu R$ 1,7 mil na atividade e recuperou a despesa em duas safras. O restante dos recursos veio da cooperativa e do poder público. ''A prefeitura doou as telhas do barracão e a terraplanagem do terreno. A Cocamar financiou a compra de equipamentos'', disse Marafon, informando também que a atividade é trabalhosa. ''Tem que cortar a amora diariamente e alimentar a lagarta várias vezes durante o dia. Trabalhamos eu, minha esposa e meu filho'', ressaltou.
O casal Guilherme e Maria Helena Alves Cazini, de Cambira, produzem bicho-da-seda há três anos e concordam que a criação das lagartas dá trabalho. ''Quando elas estão em fase de comer, precisamos tratar até as dez horas da noite. Mas o lucro vale a pena'', garantiram. Outra dificuldade levantada por eles é a exigência de cuidados diários. ''Dependendo da fase de produção, nós não temos sábado, domingo ou feriados livres''.


