Criação de minhocas revela insuspeitado potencial econômico
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sábado, 27 de janeiro de 2007
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Cultivar uma pequena horta no apartamento não é novidade para ninguém, mas criar minhocas no quintal de casa é só uma das possibilidades da vermicompostagem, uma atividade lucrativa para o agricultor e que pode se tornar fonte de renda para famílias na cidade.
Pesquisas sobre novas técnicas de manejo também demonstram que é possível transformar o lodo de esgoto urbano em húmus, o que representa um grande potencial econômico e de educação ambiental.
Uma das técnicas pesquisadas pelo Centro de Referência em Agroecologia e Agricultura Orgânica do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Curitiba, é a criação de minhocas em caixas plásticas de supermercado.
Uma das principais vantagens da tecnologia é permitir maior mobilidade ao produtor, possibilitando a criação em pequenos espaços, como o quintal de casa.
Significativamente simples, a técnica consiste em furar as caixas na parte inferior, fechando com lona plástica as laterais, para evitar o ressecamento do esterco ou material vegetal em decomposição, usados na alimentação das minhocas. O plástico evita ainda a entrada de luz, tornando o ambiente favorável para a reprodução dos vermes e a produção de húmus.
Para facilitar o manejo, o ideal é empilhar de três a cinco caixas, enchendo-as com esterco ou material vegetal. As minhocas preferem, principalmente, estercos bovino, ovinos, caprinos, equinos e de coelhos. ''Minhocas não gostam de esterco de aves porque as suas fezes vêm com urina, mistura que deixa o pH ácido. Rejeitam ainda as de suínos também por causa da acidez'', orienta o pesquisador do Centro de Referência em Agroecologia e Agricultura Orgânica do Iapar, Moacir Roberto Darolt.
Na primeira caixa da pilha, continua o pesquisador, o produtor inocula as minhocas, que comem os resíduos na direção do recipiente de baixo, transformando o material orgânico em húmus. No final do processo, o húmus deve ser retirado da caixa que, após ser preenchida novamente com resíduos orgânicos, voltará a ocupar a última posição na pilha de recipientes.
Ele aconselha os produtores de ovinos, por exemplo, a recolherem o esterco dos animais em uma caixa colocada embaixo do aprisco. A técnica de coleta pode ser utilizada ainda em coelhos.
''O sistema evita o aparecimento de moscas, revelando-se bastante prático'', avalia Darolt. Cada caixa tem capacidade para 30 quilos de esterco, que será transformado em 20 quilos de húmus.
Outra alternativa de manejo é o sistema de baias de tijolos, com um metro de largura por 60 centímetros de altura.
O piso deve ser de cimento, com uma abertura para a saída de chorume. Toda a estrutura deverá ser coberta com lona plástica, após a inoculação das minhocas, o que evita a entrada de água.
No pacote de sugestões de manejo para a minhocultura, o Iapar orienta os produtores, que têm à disposição um barracão, a empilhar o esterco ou material vegetal numa altura de 80 centímetros, cobrindo com plástico.
A cada 15 dias, o húmus é retirado com a ajuda de um rastelo, sendo que, nos três sistemas sugeridos pelo Iapar, quanto maior o número de minhocas mais rápido será o processo.


