Cláudia Barberato
De Londrina
O pecuarista Marcos Vinícius Vitor Barrozo está entusiasmado com os resultados que a criação de avestruzes poderá proporcionar a médio e longo prazos. Ele calcula uma lucratividade acima de 10%.
A criação na Fazenda das Plumas, em Tamarana, no Norte do Paraná, é nova, tem três anos, mas já proporcionou todo o retorno do investimento inicial feito na construção de piquetes, compra de casais da ave, e, recentemente, na aquisição de uma encubadora para os ovos. ‘‘O que vier daqui para frente é lucro. A criação ainda é novidade no Brasil. Não existem muitas informações técnicas e os plantéis estão em formação. Quem entrar no mercado vai ganhar dinheiro’’, prevê Barrozo.
Bom mercadoSegundo Marcos Barrozo, a procura por filhotes é grande. ‘‘Como a importação de avestruzes está proibida, quem tem filhotes para vender sempre tem mercado garantido’’. Hoje um filhote, aos três meses de idade, vale R$1 mil. O animal adulto vale entre R$4 e R$ 5 mil. Um casal pode ser comercializado entre R$10 mil e R$15 mil.
A criação de avestruzes na fazenda da família Barrozo foi escolhida como alternativa de renda da pecuária de corte, atividade principal na propriedade. O pai de Marcos Vinícius, Jurandir Barrozo, conheceu a criação em Israel e mais tarde trouxe dos Estados Unidos um casal da ave. O objetivo da criação de Barrozo é a produção de couro. Ele acredita que esse negócio estará estruturado num prazo de cinco a seis anos.
‘‘Nos Estados Unidos o quilo do couro é vendido a US$200 e é um dos couros mais valorizados do mundo, usado para fazer calçados, bolsas, cintos e outros produtos. Tem durabilidae e flexibilidade’’, garante Barrozo. A carne, outro aproveitamento da criação, é ainda pouco consumida, mas Barrozo aponta o produto como uma opção para consumo de carnes vermelhas.
Barrozo garante que a carne é um produto saudável, livre de altas taxas de gordura e rica em proteínas. Também penas (usadas para decoração e na indústria do vestuário), pés e unhas das aves (usadas na indústria de bijouterias) podem ser comercializados a bons preços. A casca do ovo pode ser usada na decoração e os cílios servem para a fabricação de cílios postiços da indústria de beleza e cosméticos.
Criação rústicaO plantel da fazenda de Barrozo conta atualmente com seis casais e sete filhotes. Os filhotes são vendidos para terceiros e os ovos são encubados na propriedade.
A encubadora, comprada há pouco mais de um mês, tem capacidade para chocar 126 ovos num prazo de 40 dias, em temperatura média de 36 graus. A encubadora é uma maneira e agilizar e garantir a produção.
Barrozo alerta, no entanto, que um investimento inicial para a criação não precisa ser muito alto. A compra da encubadora, por exemplo, pode ser feita depois de estruturada a criação.
Boa produçãoO investimento inicial é a compra de um casal da ave. Macho e fêmea começam a vida reprodutiva por volta dos dois anos e meio de idade. A fêmea começa, botando de 20 a 30 ovos por ano e, aos três anos, poderá alcançar a casa dos 100 ovos/ano. O aproveitamento da produção (nascimento de filhotes) vai depender do manejo dos animais. Nos Estados Unidos, segundo Barrozo, fala-se que o animal pode viver até 70 anos.
A postura da fêmea pode durar 30 anos. Quem cuida e choca os ovos é o macho. Ele prepara um ninho estilizado, um buraco, no chão dos piquetes, para proteger os ovos. Um ovo chega a pesar entre 1.700 quilo e 1.900 quilo, com aproximadamente um litro só de clara. O sabor, garante o criador, é semelhante ao ovo da galinha. Quanto maior o ovo, melhor desenvolvido será o filhote.
Sem estresseO tratador José Pio Carneiro, que cuida dos animais da fazenda de Barrozo, é um dos mais antigos no ramo. Ele conta que um dos segredos para manter a boa produção das aves é manter a rotina, fazer tudo sempre igual, no mesmo horário, sem grandes mudanças. ‘‘O avestruz gosta da rotina, qualquer mudança provoca estresse na ave’’, revela.
Até começar a vida reprodutiva, continua José Pio, tanto machos quanto fêmeas são mais dóceis. Depois que começa a botar ovos, a fêmea já estranha e agride pessoas ou animais que entrarem no piquete. O macho, então, é mais bravo e marca seu território com um tipo de cortejo, dançando para a fêmea.
Quando dóceis as aves comem o capim na mão do tratador e, segundo ele, quando estão bravas e recebem o alimento logo esquecem da irritação inicial. A altura média do macho, dos pés à cabeça, é de 2,20 metros. A fêmea é sempre menor. O perigo não é seu tamanho e nem o bico, mas os pés. Um chute pode derrubar e ferir gravemente pessoas ou outros animais que se arrisquem a entrar nos piquetes.
Falta informaçãoMuito do que aprendemos sobre a criação, explica o tratador das aves, José Pio, foi na prática. A vermifugação dos animais, por exemplo, a cada seis meses, é feita por conta própria.
Barrozo completa que existem poucas informações técnicas a respeito da criação de avestruzes. Ele mesmo teve que passar seis meses numa fazenda nos Estados Unidos, para aprender um pouco da criação.
‘‘Mesmo nos Estados Unidos, onde a criação já existe há mais de 15 anos, não se tem muita informação sobre sanidade das aves. O avestruz surgiu na África e lá e em outras partes do mundo existem informações curiosas a respeito dessa ave e suas peculiaridades, mas muita coisa não é compravada tecnicamente’’, afirma o criador.
Cada animal adulto precisa de um quilo de ração por dia. Tem que ser um alimento com mais fibra. A comida é colocada nos cochos dentro dos piquetes três vezes por dia. Nos piquetes, construídos com arames lisos, o alimento fica de um lado e a água do outro, para forçar as aves a andarem mais. Fala-se que uma avestruz chega a alcançar, na corrida, velocidade de 90 quilômetros por hora.
Comparando com um sistema pecuário bem feito, em que a vaca dá um bezerro por ano, a avestruz dá 25 filhotes (de um ano) por ano, porque a conta da produção é feita pela idade de abate dos filhotes, aos 12 meses de idade. Um bezerro em boas condições é abatido aos 24 meses. Um avestruz pode ser abatido em 12 meses.
DiversificaçãoBarrozo garante que um casal de avestruzes já pode trazer lucratividade à fazenda, especialmente como diversificação de pequenas propriedades. A lucratividade pode variar, garante, de 10% a 20%, dependendo do aproveitamento da ave. A dificuldade da criação está na falta de técnicos para orientar no manejo e prevenção de doenças e também na mão-de-obra especializada para tratar as aves.
Segundo Barrozo existem atualmente três raças de avestruzes: a blue neck, a red neck e a african black (essa mais criada no Brasil). Outras duas raças que existiam foram extintas. A blue e a red neck são de animais de porte maior, mas que têm produção mais tardia.Mercado hoje é de venda de filhotes. No futuro, o maior lucro deverá vir da venda do couro e de outras partes da ave
Mário CesarO macho começa sua vida reprodutiva por volta dos dois meses e meio de idade. A comercialização é feita quando ele tem três meses (detalhe)O criador Marcos Vinícius está entusiasmado com a criação. Mercado agora é para formação de plantelJosé Pio, o tratador. Conhecimento da criação foi adquirido na prática. Os animais respondem com docilidade só quando estão com fomeO macho marca seu território, dançando para a fêmea, numa prévia de como será a coberturaA criação na Fazenda das Plumas foi iniciada como alternativa de renda. Atividade principal, por enquanto, é a pecuária

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