Criação da vespinha não atende demanda
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Outra técnica alternativa que compõe o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a vespinha (Trissolcus bassalis) utilizada no controle do percevejo da soja. Apesar dos mais de 20 anos de pesquisa a técnica ainda está restrita a um número pequeno de produtores. ''Nosso principal gargalo está na falta de mais pólos produtores do percevejo'', justifica a pesquisadora Beatriz Correa Ferreira, da área de Entomologia da Embrapa Soja. O percevejo ataca os grãos afetando a qualidade e a produtividade da oleaginosa.
A vespinha, explica Beatriz, é uma predadora natural do percevejo da soja. Por se desenvolver dentro dos ovos de percevejos, ela impede o aumento da população dessa praga. ''A idéia não é eliminar totalmente os percevejos, mas baixar para níveis que não causem danos econômicos na lavoura''. O ciclo da vespa é pequeno, 10 dias. ''Formam-se 3 a 4 gerações de vespas para uma de percevejo'', compara a pesquisadora. A quantidade de fêmeas de vespas por ciclo é de 4,5 por 1, enaquanto o percevejo é igual (1x1). Cada fêmea é capaz de parasitar 250 ovos de percevejos.
A dificuldade da produção dos percevejos, segundo ela é que exige a montagem de um laboratório. O custo não é alto: ''basta uma sala climatizada, luz, gaiolas para abrigar os percevejos, mais uma pessoas para cuidar do local'', orienta. Mas seria mais viável se montado em microbacias ou associações de produtores. No Paraná existem dois grupos com laboratórios de produção em atividade, a Associação dos Produtores da Bacia do Rio do Campo, em Campo Mourão, e em Marechal Cândido Rondon, numa parceria entre a Universidade Estadual do Oeste (Unioeste) e a Itaipu Binacional. Beatriz informa que existem várias espécies de percevejos, mas a tecnologia é utilizada para três delas (verde, marrom e o verde pequeno), que são mais comuns nas lavouras.
A Embrapa produz anualmente 1,5 milhão de vespas, que são distribuídas para produtores cadastrados, com o custo apenas das taxas do Correio. ''Não dá para atender a demanda'', lamenta Beatriz. Os ovos de percevejo parasitados ficam acomodados em cartelas de papelão. A indicação é de três cartelas por hectare, com uma produção de cinco mil vespas, que devem ser colocadas no início da floração da lavoura. Cada produtor recebe dez cartelas, mas como ela se prolifera rapidamente, Beatriz garante que a quantia distribuída atende a uma área maior.
A manutenção da vespa de uma safra para outra é possível se existir áreas de refúgio vegetação nativa nas proximidades da lavoura para que passem o inverno. Outra dificuldade da manutenção das vespinhas, é que o inseto é muito sensível a venenos, por isso, é preciso a escolha de produtos seletivos no controle de outras pragas.


