Cresce o interesse de técnicos e produtores pelo sistema alternativo de criação de suínos ao ar-livre. Segundo a pesquisadora Denyse Maria Galvão Leite, que coordena projeto nessa área, na Estação Experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Pato Branco, produtores estão tentando diminuir os gastos do investimento inicial e o custo de produção do sistema de criação confinado.
O Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar-Livre (Siscal) ainda é pouco adotado no Brasil. Apenas 1% do total das criações utiliza o sistema, apesar dos ‘‘bons resultados técnicos e econômicos’’. diz a pesquisadora. Suinocultores de vários países da Europa, América do Norte e América do Sul já utilizam o Siscal como alternativa de baixo custo para criação de suínos. Este sistema de criação mantém as porcas e os cachaços em piquetes durante sua vida útil produtiva, e os leitões até os 25 a 30 kg de peso-vivo, quando são vendidos para serem terminados em confinamento.
Produtividade‘‘Os índices de produtividade do sistema de criação ao ar livre são comparáveis aos índices sistemas confinados’’, informa Denise. As práticas para manter esses índices são as seguintes: escalonamento de produção; utilização de fêmeas híbridas com alta capacidade reprodutiva e de machos com alto rendimento de carne e excelente conversão alimentar; alimentação balanceada de acordo com as exigências dos animais e controle sanitário.
Fêmeas em lactação na Estação experimental do Iapar em Pato BrancoSegundo Denise, os resultados da pesquisa desenvolvida no Iapar mostram que para criar suínos ao ar livre de forma econômica, sem reduzir os índices de produtividade e manter o equilíbrio solo-planta-animal é necessário que o sistema seja instalado em terrenos com pouca declividade e possua densa cobertura vegetal, com forrageiras resistentes ao pisoteio dos suínos.
Os dados de desempenho comparados nos dois sistemas mostram o seguinte: para as matrizes, o peso aos 110 dias de gestação ao ar-livre alcançou 241,27 kg e confinado 221,46 kg; ganho de peso da gestação ao ar-livre 64,52 kg, confinado 52,72 kg; peso ao desmame, 205,38 kg ao ar-livre e 199,48 kg confinado.
Já nos exprimentos com leitões, os resultados foram os seguintes: peso da leitegada ao nascer, com 18,24 kg ao ar-livre e 16,50 confinado; peso da leitegada ao desmame, com 70,32 kg ao ar-livre e 54,30 kg confinado; peso do leitão ao desmame, 7,97 kg ao ar-livre e 6,26 kg confinado.
CustosOs conhecimento disponíveis no Brasil a respeito desse sistema de criação vieram de países do Reino Unido, onde 20% das porcas são criadas ao ar-livre, e da França, onde este índice chega a 10%. O Iapar vem desde 1995 avaliando a viabilidade econômica e técnica do sistema.
O pasto não é considerado na alimentação, tendo a finalidade de proteger o solo do pisoteio aninal e evitar erosãoOs primeiros resultados mostraram que a implantação do Siscal custou US$490,20 por matriz alojada. Ao considerar que o custo médio de implantação de uma matriz alojada em confinamento é de US$697,50, o Siscal foi 29,72% mais barato do que o sistema confinado. Além disso, segundo Denyse, os pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves (órgão da Embrapa sediado em Concórdia, SC) observaram que o custo total por quilo de suíno, ao desmame foi 32,95% menor no Siscal do que no sistema confinado.
Segundo a pesquisadora, o Siscal é recomendado para produtores rurais que queiram iniciar ou ampliar a atividade suinícola. No entanto, ela salienta que o sistema ‘‘exige tanta atenção, cuidado e conhecimento quanto o sistema confinado’’. Quanto à presença de doenças, o sistema ao ar-livre apresentou uma menor incidência do que o sistema confinado, e o impacto dessas doenças sobre a produtividade foi menor ao ar-livre. ‘‘A expansão desse sistema no País está condicionada a alguns fatores como: maior exigência dos consumidores por produtos originários de animais criados em condições menos estressantes; agravamento da poluição ambiental devido ao excesso e concentração de dejetos; incremento da pesquisa, multiplicação de unidades demonstrativas e aceitação do sistema por uma maior número de agroindústrias’’, finaliza Denyse.

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