Para o plantio da primeira safra do novo milênio, o milho vem sendo a ‘‘grande vedete’’ na área de atuação da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo). A cooperativa, com sede em Campo Mourão, é a maior do País e atua em mais 40 municípios do Paraná e de Santa Catarina. Mesmo com o desastre do milho safrinha, a área plantada com o milho deverá ter um crescimento de 5,8%, chegando a 290 mil hectares. A produvitidade esperada é de 5.570 kg/há, 11% maior do que na safra passada.
‘‘A área de milho plantada no verão vinha caindo nos últimos anos, mas agora os produtores estão animados com os preços’’, explica o chefe do departamento técnico da Coamo, Antônio Carlos Ostrowski. Por isso mesmo, a cultura ‘‘roubou’’ um pouco da área da soja, mas a cultura mais afetada será o feijão. Na área de ação da Coamo, a área plantada com feijão deverá cair pela metade. Para quem está animado com o milho, no entanto, a preocupação é que, com a nova safra, a tendência seja de queda de preços, o que poderá frustar muitos produtores.
Investir em tecnologiaSegundo Ostrowski, a produtividade da próxima safra não será maior devido ao aumento da tecnologia, mas sim porque houve perdas na safra do ano passado devido à estiagem. ‘‘A tecnologia usada pelos produtores de milho já é boa’’, ressalta. Para ele, o produtor ‘‘amadureceu’’ e, mesmo com as condições adversas de clima e perdas das últimas safras de verão e inverno, vai investir em tecnologia para recuperar os prejuízos. ‘‘Antes, o produtor relaxava após sofrer prejuízos’’, conta. ‘‘Houve uma mudança de mentalidade’’.
Para a principal cultura da região, a soja, Ostrowski não prevê maiores novidades para a primeira safra do novo milênio. A previsão inicial é que a área de plantio fique 0,5% menor do que no ano passado. A produtividade, porém deverá crescer. A expectativa é de uma produtividade de 2.750 kg/ha, maior do que os 2.620 kg/há do ano passado, mas menor que o recorde de 2.820 kg/ha da safra 1998/99. ‘‘Naquele ano, o clima foi perfeito’’, lembra o chefe do departamento técnico. Mesmo assim, a produtividade do ano que vem é considerada ‘‘excelente’’ se comparada a média do Estado (2.500 kg/ha).
Um dos principais receios da Coamo - que houvesse fuga de investimento tecnológico na nova safra de soja - já não existe mais. ‘‘Como o produtor não saiu tão capitalizado da safra de verão em virtude da estiagem e com os prejuízos das culturas de inverno devido às geadas, temíamos que houvesse redução dos investimentos na cultura’’, conta Ostrowski. No total, a área plantada na área de ação da cooperativa deve chegar a 770 mil hectares.
Algodão mantém áreaDepois de dois anos seguidos em que a área plantada com algodão cresceu 50% na área de abrangência da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), para a primeira safra do novo milênio a expectativa é que o cultivo mantenha os mesmos 18 mil hectares do ano passado. ‘‘No caso do algodão, está havendo uma seleção natural, onde só os bons produtores estão ficando’’, conta o chefe do departamento técnico da cooperativa, Antônio Carlos Ostrowski.
Na área de ação da Coamo, o algodão chegou a 120 mil hectares no final dos anos 80, e caiu a 12 mil hectares menos de 10 anos depois. O salto para os atuais 18 mil hectares é fruto de novas tecnologias como, por exemplo, a implantação da colheita mecanizada. Mesmo assim, Ostrowski não acredita que a área volte aos 120 mil hectares nos próximos anos. ‘‘A área deverá crescer, mas nem tanto’’, diz. Segundo ele, o país tem uma demanda do produto maior que a oferta, mas a produção nacional está crescendo e a tendência é que os preços caiam quando a oferta estiver estabilizada.
‘‘Na verdade, o algodão mudou de endereço e se transferiu do Paraná para o Centro-Oeste’’, afirma o chefe do departamento técnico da Coamo. No caso da cooperativa, há uma política de incentivo à cultura. O algodão é apontado como a cultura com melhor rentabilidade. Mesmo em áreas menores, onde não compensa a compra de colheitadeiras mecânicas, estudos mostram que a aluguel de máquinas do Centro-Oeste do país é compensador. Mesmo assim, há resistência e nem o bom preço e a boa produtividade do ano passado atraem produtores. Para Ostrowski, existe um ‘‘tabu’’ contra o algodão.
‘‘Os grandes produtores estão mais voltados para a soja, o milho e o trigo e ainda não se abriram para o algodão’’, ressalta o agrônomo. Um dos principais motivos para isso é o uso da mão-de-obra. É que mesmo com a colheita mecânica, é necessário o trabalho humano nas chamadas ‘‘rebordas’’. Os grandes produtores têm resistência à contratação de mão-de-obra. Para complicar ainda mais, a contratação de pessoal na região está ficando cada vez mais difícil. ‘‘A população nas pequenas cidades está diminuindo’’, lembra Ostrowski.

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