Para a produção de teca continuar crescendo no Brasil, algumas questões terão que ser resolvidas. Uma delas é a garantia de fornecimento de mudas e sementes de qualidade para o cultivo.
''Quando a gente pensa em plantio florestal, o plantio com sementes traz um resultado limitado. Cada semente que eu planto, é uma combinação genética diferente. Então, isso significa que uma árvore atinge determinada altura, e logo do lado outra vai atingir um tamanho um pouco menor. Nisso, a que chegou antes, mais alta, limita o fornecimento de luz para a que ficou mais baixa. E essa acaba definhando com o tempo. A que cresceu mais acaba tomando conta do espaço. Seria ideal um cenário em que plantássemos árvores que todas crescessem ao mesmo tempo. Isso é que a gente consegue com o plantio clonal'', explica Guilherme Schuhli, da Embrapa Florestas.
''Ele facilita na coleta da madeira, no acompanhamento, na adubação, é uma facilidade muito grande. Na teca, nós já começamos a ter disponibilidade de mudas no Brasil. São caras ainda, comparando com o plantio de sementes, mas a vantagem é essa, nós temos um plantio mais homogêneo'', diz o pesquisador. Ele alerta, entretanto, que essa opção também tem desvantagens.
''Essas árvores que são clones são mais suscetíveis à variação ambiental. Se passou dos limites desse clone, você perde o plantio inteiro ou tem deficit no plantio inteiro. Quem planta por semente, pode ser que encontre árvores resistentes e não perca todo o seu material. No Mato Grosso, nós já temos três empresas que disponibilizam essas mudas clonais. E todas têm interesse em que a Embrapa esteja fornecendo material genético diferenciado para que continuem programas de cruzamento e melhoramento genético'', afirma Schuhli.
O pesquisador cita outros problemas da cadeia produtiva da teca no Brasil: a logística; a destinação de árvores de desbastes, que ainda é insatisfatória, principalmente para os pequenos produtores; falta de mão de obra especializada; a forma como é trabalhada a qualidade da madeira. ''A madeira que se tem demanda é uma, e muitas vezes a que o Brasil tem para fornecer é outra. Ainda tem mercado para esse tipo de madeira que a gente chama de ciclo curto. É um mercado que imagino que não vai ser saturado rápido. Mas devem ser estudadas outras maneiras de vender além do painel-teca'', argumenta.
Fernando Gnoatto, da Berneck, cita outro entrave. ''Um dos maiores problemas é a falta de informação dos produtores com relação aos mercados consumidores. O preço de um metro cúbico de tora de teca na Ásia pode chegar a 4 mil euros, dependendo da classificação. É uma madeira de cotação cara, e, sendo de reflorestamento, garantimos sustentabilidade ao negócio'', diz o gerente. (F.G.)

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