Crescem vendas de colheitadeiras
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de março de 1997
Cristina Côrtes 
Arquivo FLCrescimentoA produção nacional de máquinas e implementos agrícolas dobrou do ano passado para este anoA comercialização de máquinas colhedoras triplicou nas principais revendas da região de Londrina, comparando-se com a mesma época do ano passado. Os números demonstram uma reação positiva no mercado, e os revendedores acreditam que a venda de tratores se intensificará em abril.
Os preços de máquinas e implementos não foram reajustados nestes últimos anos, mantendo-se estabilizados. Segundo Celso Maffessoni, gerente comercial da Transparaná, o preço mais remunerador da soja impulsionou os produtores a investirem em colheitadeiras novas, para garantir a qualidade e o rendimento na hora da colheita.
Maffesoni informou que nos meses de janeiro e fevereiro foram vendidas 22 colheitadeiras, contra apenas oito unidades no mesmo período do ano passado. Na Paranamotor, Valdney Lima de Paula, do Departamento de Vendas, informou que foram vendidas neste início de 97 nove colheitadeiras, e no ano passado apenas três.
Novo momentoCelso Maffessoni comentou que as revendas, de maneira geral, passaram por uma crise nos últimos anos e tiveram que se adaptar ao novo momento vivido pela economia nacional. Isto representou redução da estrutura, demissões e a adoção de novas estratégias de vendas.
A nova realidade não permite mais que se trabalhe com grandes estoques. Quem for comprar uma máquina nova na maioria das revendas, vai ter que esperar pelo menos trinta dias para a entrega do equipamento. O mesmo acontece nas indústrias que estão trabalhando mais com base nos pedidos.
A maior parte das vendas são feitas através de financiamentos (Finame), com juros de 16% ao ano. Segundo Maffessoni existe uma outra linha de crédito com taxa de correção do dólar mais 12% ao ano. Apesar do juro ser menor, o produtor prefere a outra linha de financiamento com juros fixos, e como a economia agrícola depende muito do mercado externo, o produtor não sente segurança para ficar na dependência da variação do dólar, comentou Maffessoni.
Quando o produtor tem recursos, normalmente prefere a compra à vista. As vendas de tratores, que acontecem com mais intensidade a partir de abril, dependem em grande parte da comercialização da safra de milho. No ano passado foram vendidos 82 tratores, e este ano a Transparaná espera vender ao longo do ano 120 unidades.
Produção brasileiraDe acordo com dados fornecidos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção brasileira de máquinas e equipamentos dobrou do ano passado para este ano. Em 96 foram produzidas 424 colheitadeiras e nos meses de janeiro e fevereiro de 97 as vendas chegaram a 839. Com relação à fabricação de tratores, em janeiro e fevereiro de 96 foram fabricados 1.396 e em 97 este número saltou para 2.136.
Parte desta produção é exportada, principalmente para países da América do Sul, como Argentina, Peru, Bolívia e Paraguai. Segundo os dados gerais do ano passado, das 5.200 unidades exportadas pelo Brasil, 3.941 foram para América do Sul, 243 para a América Central, 262 para a América do Norte, 397 para a África, 254 para a Ásia, 165 para Europa e uma para a Oceânia.
No Brasil existem 22 indústrias fabricantes de veículos automotores e, destas, 13 fabricam máquinas agrícolas como tratores, colheitadeiras e retro-escavadeiras.


