A dificuldade de se estudar o comportamento e a biologia dos insetos que vivem no solo continua sendo o principal empecilho no avanço de conhecimentos sobre as pragas de solo. No entanto, já se observa uma importante evolução na diversificação de pragas estudadas e no número de cientistas que se dedicam ao tema. A análise foi feita por Lenita Jacob Oliveira, presidente da comissão organizadora da 8ª Reunião Sul Brasileira de Pragas do Solo, promovida pela Embrapa Soja e pela Universidade Estadual de Londrina na semana passada.
Durante o encontro, foram relatadas as ocorrências de pragas em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A incidência de diferentes espécies do complexo corós (que atacam as principais culturas do Brasil como soja, milho e trigo) foi uma das demandas levantadas pela assistência técnica desses estados.
No Paraná Além dos corós, a vaquinha e o percevejo castanho estão entre as principais pragas de solo que atingem culturas economicamente importantes do Paraná. A constatação é de Lauro Morales, especialista em entomologia da Emater.''Existem muitas outras pragas que atacam culturas diversas em áreas mais restritas'', informou.
Morales explicou que os''corós'' se dividem em várias espécies pouco conhecidas. ''São larvas de besouros que comem raízes, mas nem todos prejudicam a lavoura'', esclareceu. Na soja, a praga causa poucos prejuízos. ''O controle, à base de tratamento de sementes, não vale a pena'', ressaltou.
No milho, por outro lado, a presença de ''corós'' pode prejudicar a produtividade. ''Nesse caso, a orientação é tratar as sementes com inseticida'', ensinou.
Safrinha O especialista revelou que a vaquinha, cujas larvas se alimentam da raiz do milho, adquiriram importância no Paraná depois que os produtores passaram a plantar a segunda safra anual do grão, chamada de safrinha. ''Como tem alimento o ano inteiro, o ciclo de vida do inseto não se interrompe, aumentando a população'', esclareceu. O inseto pode ocasionar redução de produtividade entre 200 e 400 quilos por hectare. O controle também é baseado no tratamento de sementes.
Outra praga importante no Paraná é o percevejo castanho, comum em pastagens e lavouras de cana. De difícil controle, a única forma de combater o inseto é movimentar o solo e replantar o capim, orientou Morales. Também características de pastagens, as formigas cortadeiras atacam áreas degradadas e mal conduzidas. Para controlar o problema, a dica é fazer a aplicação sistemática de produtos químicos e evitar a degradação do pasto.
Plantio direto De acordo com Lauro Morales, o não revolvimento do solo antes da semeadura da lavoura, prática que é uma das características do plantio direto, facilitou a disseminação de pragas de solo no Paraná. ''No sistema convencional as pragas ficavam mais expostas ao meio ambiente e acabavam morrendo'', explicou, acrescentando que apesar do problema, ''o plantio direto é uma arma importante para proteger o solo e veio para ficar.''
O pesquisador Ademir Calegari, do Iapar, esclareceu que o aumento das pragas de solo só acontece quando o agricultor não pratica a rotação de culturas. ''Em uma monocultura, o produtor oferece apenas a comida que a praga gosta, aumentando a população. Pelo contrário, se há rotação, cresce a quantidade de inimigos naturais, favorecendo o equilíbrio'', explicou.

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