Cresce oferta de frutas de caroço
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de novembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
A safra de frutas de caroço (pêssego, ameixa e nectarina) no Paraná deve crescer cerca de 20% esse ano em relação a 1999. A previsão da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Pr) é que sejam colhidas 26 mil toneladas dessas frutas nos próximos 90 dias. No ano passado, a produção ficou abaixo das 22 mil toneladas.
Segundo Edmundo Hablich, técnico da área de fruticultura da Emater-Pr, a fruticultura de clima temperado do Paraná está recuperando-se da queda na produção de 1999. O que aconteceu ano passado foi uma redução de produtividade em função de geadas fortes ocorridas em 1998, tínhamos uma previsão de produzir 20 mil toneladas de pêssego e nectarina mas colhemos apenas 17 mil toneladas, conta.
Produção x preços Municípios que integram a região metropolitana de Curitiba são responsáveis pela maior parte da produção de frutas de caroço no Estado. Só esse ano serão mais de 15 mil toneladas de pêssego, ameixa e nectarina. A região norte do Paraná deveria produzir cerca de 2 mil toneladas, mas como as geadas atingiram os pomares no momento da frutificação haverá uma queda de mais de 30%, reduzindo a safra para cerca de 1,5 mil toneladas, segundo avaliação da Emater-Pr. As variedades cultivadas no sul do Estado são aclimatadas para o frio, por isso as geadas não afetam a produtividade, diz o técnico.
Apesar de não quebrar a produção, o frio causa outro problema aos fruticultores da região sul. Temperaturas abaixo da média histórica concentram a colheita em até metade do período normal. Com isso, está previsto um crescimento da oferta de frutas em pouco mais de um mês (dezembro), o que deve provocar a queda de preços. Normalmente a colheita de frutos de caroço no Paraná começa no final de outubro e segue até janeiro.
Se não houver uma queda muito significativa de preços, a atividade continuará sendo mais rentável que a produção de grãos em pequenas e médias áreas.
CustosAtualmente, os custos de produção de frutas de caroço giram em torno de R$ 0,12 e R$ 0,15 o quilo, segundo o técnico da Emater. O preço médio histórico obtido pelos produtores durante todo o período da colheita tem sido de R$ 0,20 o quilo. Nos picos de preço (início e fim da colheita) o preço pago pelo quilo da fruta pode chegar a R$ 1,00.
Em um pomar tecnificado e em idade adulta, a produção pode chegar a 20 toneladas por hectare. Com venda a preço médio, a renda bruta fica em R$ 8 mil. Os custos giram em torno de R$ 6 mil. A rentabilidade por hectare fica em R$ 2 mil por hectare ao ano. Segundo Hadlich, os resultados são melhores que o cultivo de feijão ou milho, mas em áreas muito pequenas as frutas de caroço podem não se viabilizar.
Para o técnico, a fruticultura é uma das boas opções que o agricultor paranaense tem para diversificar as atividades na propriedade. As características do Paraná permitem o cultivo de frutas tropicais e de clima temperado, para muitas espécies há espaço para crescimento da oferta, mas o produtor precisa tomar alguns cuidados.
Entre as medidas preventivas está a pesquisa de mercado, para saber se a espécie a ser cultivada terá comércio, e vias de escoamento. Quando a qualidade do produto é boa, o fruticultor consegue vender diretamente aos grandes varejistas e tem um preço de venda maior, conta.
Preços maioresCom o escalonamento de colheita e venda direta ao consumidor o fruticultor pode conseguir preços 100% maiores. Fernando Elais Furman, filho de tradicional produtor de pêssego nos anos 80, está recuperando a atividade na propriedade da família, em Araucária, região metropolitana de Curitiba. Ele cultiva 200 pés da fruta que estão entrando na primeira safra esse ano. Houve um período em que o pêssego deu uma retraída, mas agora ele está recuperando espaço no mercado e sendo muito atrativo para o agricultor, diz. Esse ano Furman espera uma produção de 40 quilos (2 caixas) de pêssego por pé.
Como o produtor cultiva algumas variedades precoces, ele é um dos poucos da região que já começou a colheita. Nós temos o plantio escalonado de quatro variedades entre precoce e tardia para distribuir a colheita em três meses e evitar os picos de preços baixos, explica. A variedade San Pedro já está em ponto de colheita.
Cerca de metade dos 8.000 quilos de pêssego da propriedade serão vendidos diretamente ao consumidor em caixas de um quilo, em cidades da região metropolitana de Curitiba. Após a colheita, ainda na propriedade, os frutos são preparados para a venda ao consumidor final. Nesse produto é possível conseguir R$ 2,00 por quilo até dezembro,disse. A outra parte da produção passa por intermediários que estão pagando atualmente R$ 1,00 o quilo. Com o início da safra de outras variedades o preço vai cair, mas continuará sendo rentável.
Para o técnico do escritório local da Emater-Pr em Araucária, Celso Rosa Correa, o segredo é produzir pêssego com qualidade e ter formas de venda direta ao consumidor. Quando o pomar recebe tratos culturais adequados e o produtor consegue comercializar o produto diretamente, o ganho aumenta muito, explica.


