Seguindo alguns modelos adotados no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, vários proprietários rurais da região noroeste do Paraná, começam a investir no turismo como uma nova alternativa de renda. A tranquilidade do campo e a facilidade de acesso são algumas vantagens largamente divulgadas para atrair o público. Além disso, defendem os novos empreendedores rurais, a paisagem bucólica da maioria das propriedades e as atividades como andar a cavalo, caminhar em trilhas ecológicas ou simplesmente deitar em redes colocadas estratégicamente em áreas arborizadas, são totalmente relaxantes e portanto, indicadas para a maioria das pessoas que moram nos centros urbanos.
OrganizaçãoA nova proposta está sendo levada tão a sério na região, que onze proprietários rurais se reuniram e formaram o Grupo de Empreendedores do Turismo no Espaço Rural (Geter). O objetivo é capacitar as pessoas envolvidas com o turismo e garantir não só a sobrevivência destas propriedades, mas o aperfeiçoamento dos serviços voltados para o turismo rural. De acordo com a coordenadora do Geter, Wanda Tille, o turismo rural na sua essência favorece a pequena propriedade onde a própria família tem condições de desenvolver as atividades do campo e também atender os hóspedes.
Segundo Wanda, o turismo rural é bastante limitado se for considerado apenas as suas características elementares. Ela explica que o turismo rural, na sua essência tem que preservar as características rústicas do campo e geralmente o turista deseja um certo conforto típico das cidades. Alem disso, nem todas as propriedades dispõem de estrutura e atividades que possam atrair o turista. Foi justamente pensando nestas limitações que o Geter defende o turismo no espaço rural. Desta forma, várias propriedades rurais estão se adequando para oferecer no campo novas opções de lazer e entretenimento. ‘‘O difícil é justamente dar adequação à propriedade para que ela ofereça o conforto urbano, sem entretanto perder a característica rural’’, explica Wanda.
Investimentos Os investimentos variam de acordo com o potencial da propriedade. Algumas por exemplo, já contam com potenciais naturais e exploram estes recursos. Há ainda as propriedades com estruturas históricas da época do café por exemplo. Neste caso, as construções antigas são usadas para abrigar os turistas que além do sossego do campo podem conhecer um pouco da história rural da região.
Por se tratar de uma proposta nova para a região, a maioria dos empreendedores dispõem de poucos recursos para investimento e as adequações das propriedades são feitas por etapas. A maior dificuldade, segundo Wanda, é que não existe nenhuma linha de financiamento para este tipo de atividade e geralmente há necessidade de grandes investimentos neste setor. Para superar as dificuldades e dar sustentação ao negócio, o Geter conta com assessoria do Sebrae. Além disso, a prefeitura de Maringá, através da Secretaria de Turismo, também apóia o grupo. ‘‘Nós já estamos nos preparando para criarmos uma associação porque o futuro deste tipo de empreendimento depende não só dos proprietários rurais, mas do envolvimento de diversos órgãos, já que o turismo favorece toda cidade’’, diz Wanda.
E quem pensa que se trata de uma alternativa voltada apenas para os moradores das cidades mais próximas, está enganado, afirma Wanda. Segundo ela, um dos objetivos é atrair o turista estrangeiro que valoriza o contato com a natureza e a conservação do meio ambiente. Segundo ela, o turismo no espaço rural é uma alternativa de lazer muito próxima da maioria das pessoas. ‘‘Para ir à praia, muitas pessoas precisam esperar o período de férias, já para ir à fazenda, é necessário aguardar apenas o final de semana’’, compara Wanda.

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