Curitiba - O mercado de plantas medicinais, aromáticas e condimentares vem crescendo em torno de 10% no Brasil nos últimos três anos e a tendência é que essa expansão continue. O reflexo disso ocorrerá em maior escala na economia do Paraná, que é o maior produtor de ervas medicinais do País, com participação de cerca de 80%. A criação da Sociedade Paranaense de Plantas Medicinais (SPPM) em novembro do ano passado, vem dar novo impulso ao desenvolvimento da atividade que ganha fôlego para conquistar novos mercados.
Segundo dados da Emater, o Paraná produz atualmente 7,6 mil toneladas de plantas medicinais, em uma área de 1,9 mil hectares, cultivada por cerca de 600 produtores. Desse total, 191 agricultores produzem plantas orgânicas em uma área de 254 hectares. O Valor Bruto da Produção (VBP) no Estado da lavoura atingiu R$ 19 milhões em 2001.
Em alta
De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater e tesoureiro da SPPM, Cirino Corrêa Júnior, o mercado de ervas medicinais, aromáticas e condimentares movimentou US$ 19,5 bilhões no mundo em 2000, sendo que em 1997 o montante girava em torno de US$ 14,5 bilhões. O Brasil teve crescimento semelhante, em torno de 30% em três anos. Em 1997, o setor movimentou no País US$ 500 milhões, e em 2000, US$ 800 milhões. Há cerca de 350 empresas no Brasil explorando o ramo fitoterápico, entre elas Boticário, Natura, Herbarium e Laboratório Catarinense.
Para Corrêa, o crescimento do mercado está respondendo a uma mudança de costumes da população. ‘‘As pessoas cansaram de comer e beber drogas para se curar e estão buscando produtos naturais’’, disse. Ele afirmou que o mercado tem muito potencial no Brasil. ‘‘De todos os produtos farmacêuticos feitos no Brasil, até 35% têm composição de plantas medicinais, sendo que na Europa esse percentual ultrapassa os 50%’’, observou.
Destaque para o Paraná
O Paraná se destaca como produtor de plantas medicinais principalmente por causa das condições climáticas, explicou Corrêa. ‘‘O clima aqui é extremamente favorável, já que vai do subtropical ao temperado. Isso possibilita o cultivo de ervas européias, como a camomila, que têm muita procura, nas regiões frias e também as nativas, como marcela, espinheira-santa e carqueja’’, relatou.
A SPPM está produzindo um estudo da cadeia produtiva das plantas medicinais no Estado, que deve ficar pronto até o final do semestre. ‘‘Queremos descobrir possíveis entraves na cadeia produtiva, desde ações do agricultor até a comercialização com a indústria, e encaminhar para que sejam solucionados’’, revelou Corrêa.

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