À-riscaLucia de Oliveira: ‘‘As medidas devem ser seguidas rigorosamente, para que ninguém saia lesado’’A diversificação agrícola não traz vantagens apenas para o produtor, que passa a ter mais de uma fonte de renda e, com isso, maiores garantias de lucros. Plantar outras culturas pode servir de estímulo também à criação de novos empregos e geração de recursos além dos limites da propriedade. No caso das frutas e verduras, um segmento é particularmente beneficiado: o da fabricação de embalagens para transporte.
A ex-comerciante de roupas Lúcia de Oliveira, de Assaí (Norte do Estado), que o diga. Ela assumiu o comando da serraria da família há três anos, após a morte do marido, e atualmente o carro-chefe da empresa não são mais as vigas e caibros destinados à construção civil, mas sim as caixas de madeira, utilizadas no comércio de uva, moranguinho, maracujá, abacate, banana, pimentão, tomate, cará e pepino, entre outras frutas e verduras.
Diferentes modelosDe acordo com a proprietária, a serraria tem capacidade para fabricar 700 caixas por dia, produção que é alcançada nas épocas de pico de colheita dos principais produtos agrícolas. Entre os que mais consomem embalagens estão a uva, o cará e o tomate, e o modelo mais produzido é o da caixa ‘‘K’’, um tipo de caixote descartável que transporta vários produtos (tomate, cenoura, chuchu, vagem, beterraba, cará, berinjela, quiabo e pimentão, entre outros). Outro muito consumido é o modelo comercial, que permanece aberto e tem retorno para o produtor (utilizado, por exemplo, para o transporte de laranja).
A madeira utilizada na fabricação das caixas é o pinus, obtido em áreas de reflorestamento
Já a uva e o moranguinho exigem modelos específicos, menores, que são montados pelo agricultor dentro da propriedade. ‘‘São feitos com madeira tratada, passada na plaina e submetida a processo de secagem para não embolorar, já que vai embalar produtos perecíveis’’, explica Lúcia de Oliveira. Outros modelos específicos feitos pela serraria são os destinados ao transporte de peixe e banana.
As épocas de maior consumo de caixas são os meses de junho e dezembro (safras de uva) e março/abril (cará). A serraria consome uma média de 100 metros cúbicos de toras de pinus por mês, adquiridas nos campos de reflorestamento da Klabin, em Telêmaco Borba e da Pisa Florestal, em Ibaiti. Na entressafra, Lúcia sobrevive do comércio de madeira com os depósitos de construção. No final do ano, quando sobra tempo, aproveita para fabricar carvão vegetal.
PadronizaçãoDa mesma forma que cada produto exige um tipo de embalagem, as caixas devem ser fabricadas de acordo com rigorosos padrões determinados pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento, que fornece, todos os anos, um manual atualizado sobre modelos e medidas, que devem ser seguidos à-risca. As visitas às fábricas para confirmar o cumprimento das normas ficam por conta de profissionais da Divisão de Padronização e Fiscalização da Classificação, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado.
Dorico da SilvaDetalhe da fabricação do modelo comercial, que retorna ao produtor e é um dos mais utilizados
‘‘A gente não pode se descuidar nunca das medidas das caixas, porque se elas estiverem erradas, tanto o produtor (que corre o risco de perder a mercadoria no momento da fiscalização) como o consumidor final podem ser lesados’’, observa Lúcia. Ela afirma que até a grossura em que a madeira deve ser cortada é padronizada, para não alterar as medidas internas da embalagem.
Lúcia de Oliveira admite que sua empresa foi beneficiada com a crise econômica, que estimulou a diversificação por parte dos produtores. ‘‘Antigamente, quando todo mundo só plantava soja, milho e algodão, não havia procura por embalagens para transporte’’, diz, lembrando que as caixas de madeira ainda são as mais utilizadas por sua resistência à umidade e ao manuseio, principalmente quando são submetidas a longas viagens.

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