O segmento de medicamentos à base de plantas, chamados fitoterápicos, movimenta aproximadamente US$ 22 bilhões por ano em todo o mundo. É um dos setores que mais se amplia no mercado global de medicamentos, com índice de crecimento em torno de 12% ao ano. O Brasil movimenta apenas US$ 500 milhões desse volume, enquanto os Estados Unidos e países europeus - especialmente Alemanha e França - respondem respectivamente por US$ 6 bilhões e US$ 9 bilhões do mercado mundial.
Incentivada pelos números positivos, a fabricante de cosméticos Natura decidiu investir na área e assumiu o controle acionário do laboratório Flora Medicinal, pioneiro na produção de medicamentos fitoterápicos no Brasil.
Focado atualmente no mercado carioca, onde abastece cerca de mil farmácias, o laboratório passará a disponibilizar seus produtos também para os estabelecimentos localizados nas regiões Sudeste e Sul, além de Bahia, Distrito Federal e Goiás. A expectativa é que, em três anos, 12 mil pontos-de-venda estejam comercializando os medicamentos da marca.
Investimento A Natura investiu um total de R$ 20 milhões no processo de aquisição da Flora Medicinal, o que inclui a compra, reforma de suas instalações no bairro do Rio Comprido (Rio de Janeiro), implementação de práticas industriais mais modernas, treinamento de pessoal e criação de dois laboratórios para controle de qualidade e desenvolvimento de produtos.
No decorrer de 2001 e 2002, serão investidos mais R$ 10 milhões na expansão da área de atuação da marca, na introdução de novas linhas de produtos e em ações de marketing. A expectativa é de que, nos próximos cinco anos, a empresa fitoterápica gere uma receita bruta anual de R$ 100 milhões.
HistóriaFundada em 1912 pelo médico-pesquisador J.Monteiro da Silva, a Flora Medicinal possui uma linha com cerca de 300 produtos. Entre os medicamentos mais comercializados, destacam-se Rheumoflora, Viriflora e Ovarioflora.
O trabalho de J. Monteiro da Silva começou com um estudo atento e minucioso da flora nacional, associado à coleta de testemunhos das culturas transmitidas por sertanejos e indígenas. As viagens e pesquisas de campo ajudaram o médico a conhecer a fundo o poder curativo das plantas e as formas de extrair os melhores resultados destas, ocasionando a elaboração de uma linha de produtos formulados a partir de um acervo com mais de 280 plantas da biodiversidade brasileira.
Nas décadas de 30 e 40, a Flora Medicinal foi a principal difusora do conhecimento sobre fitoterapia no Brasil. Os medicamentos comercializados pela empresa também podiam ser encontrados em drogarias de quase todo o território brasileiro, que compravam e revendiam os produtos em larga escala.
Em 1934 foi lançada a Revista da Flora Medicinal, com o objetivo de divulgar os trabalhos do laboratório, transmitir conhecimentos de botânica médica e, prioritariamente, promover um intercâmbio de estudos com outros cientistas da área. A revista chegou a circular além das fronteiras nacionais - Europa, Estados Unidos e países da América do Sul - de onde, muitas vezes, eram feitos pedidos de produtos elaborados pela Flora Medicinal.

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