Cresce comercialização de máquinas
As vendas de máquinas agrícolas automotrizes no mercado interno brasileiro aumentaram 24% no primeiro quadrimestre desse ano. De acordo com dados divulgados pela Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializados 9,1 mil veículos nos primeiros quatro meses de 2001, enquanto no mesmo período do ano passado, o setor vendeu 7,3 mil unidades. A alta foi puxada pelo segmento de tratores, que cresceu 35,99%, enquanto a venda de colheitadeiras diminuiu 6,43%.
No Paraná, alguns revendedores não contabilizaram o aumento de comercialização divulgado pela entidade. Eles atribuem esse quadro à geada do ano passado e aos baixos preços do milho e da soja no mercado. Também acreditam que muitos produtores adquiriram novas máquinas nos últimos anos, o que diminuiu a necessidade de renovação dos equipamentos.
No restante do País, os números levantados pela e Anfavea indicam que o aumento no volume de negócios é crescente. Em 2000, as vendas em território nacional totalizaram 31,1 mil máquinas, superando em 25,7% as 24,7 mil vendas de 1999. Os dados referem-se a tratores de rodas, tratores de esteiras, cultivadores, colheitadeiras e retroescavadeiras.
Vendas BaixasO revendedor Martin Stremlow, de Londrina, afirmou que em sua empresa, a comercialização nos primeiros meses de 2001 diminuiu em 10% com relação ao mesmo período do ano passado, apesar da safra brasileira de grãos ter atingido novo recorde.
O que importa para o produtor não é a safra, mas o que sobra na última linha da contabilidade. Como o preço da soja e do milho estão baixos, não há recursos para investimentos, comentou. Ele acredita, porém, que o mercado deve se recuperar no segundo semestre.
Rubem Witt, sócio-proprietário de uma revenda em Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel), também acha que o preço dos produtos agrícolas interfere na comercialização das máquinas. Os produtores que têm melhor remuneração, investem mais, analisou. Ele nutre esperanças de retomar o crescimento a partir do segundo semestre. Mas vai depender do valor dos produtos agrícolas na época da comercialização. Existe expectativa de elevação do preço do milho, ressaltou.
Plantio DiretoSegundo Witt, os negócios no segmento de máquinas para plantio direto apresentaram retração desde o início do ano. Para ele, as vendas diminuíram porque o mercado adquiriu muitos equipamentos recentemente, que só precisarão ser substituídos ou atualizados em quatro anos.
No caso das semeadoras para trigo e milho, ele observou situação inversa. Houve crescimento de 50% nas vendas desses equipamentos, revelou, acrescentando que as máquinas próprias para plantio direto custam 12% mais que as similares utilizadas no sistema de agricultura convencional. Apesar do preço, ele contou que esses produtos representam quase 100% das vendas.
Stremlow informou que em sua revenda, os equipamentos para plantio direto correspondem a 85% da comercialização. De acordo com ele, os tratores e colheitadeiras são as máquinas mais vendidas. Esse sistema é uma realidade, pouca gente escapa, disse.
Ele informou que alguns produtores que praticam o sistema convencional continuam comprando plantadeiras mais simples, que exigem tratores menores. Essas máquinas são mais acessíveis e atendem principalmente os pequenos agricultores, que não possuem condições de mudar o sistema de plantio, comentou.
NovidadesEntre as principais novidades da temporada, Martin destacou as plantadeiras especializadas para plantio direto, aptas a trabalharem sobre terraços de curva de nível. Também informou que a linha de tratores cresceu e engloba 50 modelos diferentes, desde os pequenos, para horticultura e fruticultura, até veículos com 175 cavalos.
Segundo ele, a vantagem dos grandes tratores e plantadeiras está na capacidade de aumentar a escala de serviço. Por trabalharem com maior profundidade, também são mais adequados para o sistema de plantio direto, acrescentou.
Outra novidade anunciada pelo revendedor é a linha de colheitadeiras com medidor de desempenho da máquina. Ele informou que esse dispositivo proporciona maior rendimento na utilização do equipamento, que também tem manutenção diária simplificada.
Entre os lançamentos disponíveis na empresa de Witt, ele evidenciou as plantadoras com distribuição de sementes a vácuo, que proporcionam plantio de precisão e reduzem as despesas com compra de sementes. Com relação às colheitadeiras, ele destacou as unidades com sistema de monitoramento interno, que antecipam os possíveis defeitos na trilha da máquina ou no sistema de corte, com margem de segurança em torno de 95%.
PreçosEm Marechal Cândido Rondon, Witt informou que os preços dos equipamentos estão 30% a 35% mais caros se comparados ao ano passado. O principal motivo da alta é o aumento do preço das matérias primas utilizadas na fabricação, como ferro, aço e derivados de petróleo.
Martin Stremlow comentou que o preço dos tratores vendidos em sua empresa subiu de 15% a 20%. A alta do dólar, segundo ele, é a principal responsável pelo reajuste. Os equipamentos possuem muitos componentes importados, afirmou.
O revendedor também informou que 90% a 95% das compras de tratores e colheitadeiras é feita por financiamento. Os produtores que conseguem planejar a compra com antecedência também optam pelo consórcio, explicou.
Na empresa de Witt, a situação de repete. Os produtores estão investindo em produtos com linhas de crédito com prazos longos, ressaltou. Para ele, o governo deveria demonstrar maior preocupação com a questão dos subsídios para financiar a produção, pois os equipamentos são caros e o preço dos produtos agrícolas estão baixos. Desse jeito, fica difícil concorrer com os países onde a produção é subsidiada.





