Cresce adesão dos produtores de soja ao Manejo Integrado de Pragas
Em sete anos, mais de 4,3 mil produtores paranaenses buscaram conhecimento sobre a técnica em cursos ministrados pelo Sistema Faep/Senar
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de outubro de 2024
Em sete anos, mais de 4,3 mil produtores paranaenses buscaram conhecimento sobre a técnica em cursos ministrados pelo Sistema Faep/Senar
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

A adesão dos produtores paranaenses ao MIP (Manejo Integrado de Pragas) na cultura da soja tem crescido nos últimos anos. Um termômetro que atesta essa tendência é o aumento significativo no número de turmas do curso sobre o tema, ministrado pelo Sistema Faep/Senar.
Em sete anos, o número de turmas do curso promovido em diversos municípios paranaenses quase triplicou – subiu de 18, na safra 2016/17, para 51, na safra 2023/24, o que demonstra uma crescente conscientização por parte dos produtores paranaenses sobre os benefícios dessa técnica. Durante o período, mais de 4,3 mil produtores participaram de 377 turmas no estado.
Paulo Castellem Júnior, técnico do Detec (Departamento Técnico) do Sistema Faep, destaca que esse maior interesse pode ser atribuído a vários fatores. “O aumento dos custos de insumos, como defensivos agrícolas, tem incentivado os produtores a buscarem formas mais eficientes de controle de pragas, e o MIP oferece justamente isso: um manejo mais racional e econômico. Além disso, os resultados práticos observados em campo, como a redução de aplicações e a preservação da produtividade, têm gerado confiança nos métodos do MIP”, explica.

Segundo o técnico, outro fator que contribui para o aumento das turmas do curso de MIP é a divulgação orgânica feita pelos próprios participantes. “Quando um produtor adota o MIP e começa a obter resultados positivos, como a redução no uso de inseticidas e a preservação da produtividade, isso chama a atenção de seus vizinhos. O interesse cresce naturalmente à medida que outros produtores observam esses benefícios em campo e querem entender o que o colega está fazendo para alcançar esses resultados.”
O MIP, na cultura da soja, envolve diversas práticas que visam o controle eficiente de pragas, minimizando o uso de defensivos químicos e promovendo o equilíbrio natural no campo.
PRÁTICAS
Entre as práticas que integram o MIP figuram um bom manejo do solo, com boa matéria orgânica e biodiversidade, o que favorece a presença de predadores naturais das pragas.
O uso dos níveis de controle é outro aspecto que faz parte do MIP. Em uma lavoura de soja, o nível de controle para percevejos pode variar conforme a finalidade. Se o monitoramento indicar uma população inferior à indicada no protocolo, não é necessário aplicar inseticidas.
Espinha dorsal do MIP, o monitoramento consiste em verificar continuamente a presença e a densidade de pragas e de seus inimigos naturais, além das condições da lavoura. A prática permite que o produtor tome decisões com base em dados reais, em vez de agir utilizando os defensivos de maneira indiscriminada.
“O monitoramento regular também identifica a presença de inimigos naturais e outras variáveis que podem influenciar no controle de pragas. Um exemplo é o uso de pano-de-batida para monitorar a presença de lagartas e percevejos na soja, ajudando a identificar a necessidade de intervenção.”
Outra prática é a identificação correta e entender o ciclo de vida e o comportamento das pragas, além da relação delas com o ambiente e outros organismos. “Por exemplo, no controle do percevejo-marrom, é importante saber que ele passa por várias fases de desenvolvimento e que o uso indiscriminado de inseticidas pode eliminar os seus predadores naturais”, detalha.
O CURSO
Ao todo, o curso sobre MIP possui uma carga horária total de 52 horas. Estruturado para fornecer conhecimentos teóricos e práticos, abrange todas as fases da safra de soja. “Durante o curso, os participantes são capacitados a monitorar, avaliar e manejar as pragas de maneira eficaz, resultando em uma produção mais saudável e economicamente viável”, explica o técnico.
Todos os cursos do Senar-PR são gratuitos e com certificado aos concluintes. Os cursos são mobilizados pelos Sindicatos Rurais patronais e contam com o apoio de instituições governamentais e particulares, além de prefeituras, cooperativas e empresas privadas. Para mais informações sobre os cursos, basta procurar o Sindicato Rural mais próximo ou acessar o link.
RESULTADOS
O técnico aponta que, na safra 2023/2024, 58,6% dos produtores que fizeram o curso de MIP realizaram uma ou nenhuma aplicação de inseticida. “Esses dados sugerem que o curso de MIP-Soja ajudou muitos produtores a otimizarem suas estratégias de controle, reduzindo a necessidade de múltiplas intervenções”, destaca.
Ele acrescenta que o número de aplicações tem um impacto direto nos custos com insumos e operações agrícolas. “Além disso, o Manejo Integrado de Pragas não se resume apenas a reduzir o uso de agrotóxicos, mas sim a aplicá-los no momento exato em que são realmente necessários.”
BENEFÍCIOS
Produtor de soja em Prudentópolis, região centro-sul do Paraná, Airton Felipe Jula aderiu ao MIP há quatro anos e sempre está se aprimorando – ele já está fazendo o curso sobre o manejo integrado pela terceira vez.
Hoje, ele e o pai plantam 193 hectares de soja na propriedade. “Dentre as muitas informações que são repassadas aos produtores, uma que com certeza nos auxilia muito é a batida do pano, pois ali você soma a quantidade de pragas e de inimigos naturais que estão na sua lavoura para saber se está na hora de entrar com inseticida ou se dá para continuar monitorando”, detalha.
Outra prática comum adotada pelo agricultor é procurar um bom horário, tanto para fazer o monitoramento quanto para aplicar inseticida se necessário. “Também anoto toda semana como a minha lavoura está evoluindo em relação a insetos e doenças”, acrescenta.
Segundo ele, os resultados têm sido muito satisfatórios. “No primeiro ano, reduzimos cerca de 30% a aplicação de inseticidas e nos anos seguintes essa porcentagem aumentou. Hoje, conseguimos reduzir de 4 aplicações para somente uma de inseticida por safra”, conclui.


