Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o Brasil deve produzir 2,2 mil toneladas de algodão em caroço e 848 toneladas de pluma na safra 2000/2001. Os números incrementam em 21% o volume obtido no ano passado. A área plantada este ano no País é de 922 mil hectares (ha), indicando aumento de 12% com relação à safra anterior. Apesar das previsões otimistas, os produtores estão insatisfeitos com as condições de comercialização, pautadas por preços mais baixos que os praticados em 2000.
A contribuição do Paraná para a safra nacional é pouco expressiva, com área plantada de 64,5 mil ha e produção estimada de 153 mil toneladas do algodão em caroço. Pelo terceiro ano consecutivo, o Mato Grosso lidera o ranking dos maiores produtores brasileiros, com 367 mil ha de área plantada e produtividade em torno de 1350 quilos de pluma/ha, informou a Associação Matogrossense de Produtores de Algodão (AMPA). A Conab estima que a média nacional de produtividade será de 2,4 mil kg/ha de algodão em caroço, repetindo os resultados do ano passado.
Graças ao investimento em tecnologia, o Mato Grosso utiliza colheita mecanizada na totalidade das áreas, permitindo que o cotonicultor venda o produto beneficiado diretamente para a indústria, sem a intermediação das cooperativas ou algodeiras. Por isso, a AMPA não possui dados sobre a produtividade do algodão em caroço no Estado.
Colheita Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, 34% da área de algodão paranaense já foi colhida e o restante está em período de maturação.
O presidente da Cooperativa Central de Algodão (Coceal), Almir Montecelli, informou que os produtores do Paraná devem superar em dois milhões de arrobas os dez milhões obtidos anteriormente. Ele atribui o resultado positivo ao aumento na área plantada e ao clima favorável à cultura, além de maior investimento em tecnologia e opção por cultivares de melhor adaptação. A região de Goiorê é a principal produtora do Estado, respondendo por 65% da produção total.
Para a próxima safra, Montecelli avalia que o surgimento de novas cultivares deva incrementar ainda mais o volume de produção. Entre as novidades, ele destacou a IPR 94, IPR 95 e IPR 96, desenvolvidas pelo Instituto Agropecuário do Paraná (Iapar). Segundo ele, são qualidades que agregam resistência a doenças e bom rendimento em fibras.
Mato Grosso No Mato Grosso, a colheita começa só no final do maio. Adilton Domingos Sachet, presidente da AMPA, acredita em aumento da produtividade na safra desse ano, graças ao maior investimento em fertilizantes, máquinas e equipamentos. Segundo ele, cada produtor gasta US$ 1250/ha na cultura. ‘‘O aumento na produtividade compensa o investimento’’.
As variedades Saturno e Ita 90, específicas para colheita mecanizada, são as mais plantadas no Estado. Desde 1995, quando houve a retomada da cultura em solos matogrossenses, a produção é pautada por alta tecnologia e colheita totalmente mecânica, garantindo ao Mato Grosso o posto de maior produtor do País, responsável por 53% da produção nacional.
Preços baixos O presidente da Coceal analisou que o mercado do algodão está desfavorável para o agricultor, apesar da ligeira alta nos preços constatada nos últimos dias, por causa da incidência de chuvas fortes no período de colheita. Hoje, a saca do produto em caroço está sendo vendida entre R$ 8,50 e R$ 8,80 e a pluma, a R$ 0,91 por libra peso.
No ano passado, nesta mesma época, o preço do algodão em caroço era R$ 10,00 informou o Deral. Para Montecelli, o valor mínimo para remunerar o produtor é R$ 8,00 se a produtividade alcançar 400 arrobas por alqueire.
Como o Brasil ainda não é auto-suficiente na produção, o mercado internacional também influencia a conjuntura de preços. De acordo com Maurício Tadeu Lunardon, da Secretaria de Agricultura, o preço da pluma no exterior era de US$ 0,658 em dezembro do ano passado e se reduziu a US$ 0,631 em fevereiro de 2001. Ele explica que a oscilação resultou do aumento na produção em países como China e Austrália, além da redução no consumo provocada pela recessão nos Estados Unidos e a crise no mercado financeiro do Japão.
Apoio Sachet, da AMPA, acredita que o governo precisa encontrar um mecanismo de apoio aos produtores, para evitar que fiquem desamparados a cada queda nos preços. ‘‘Seria falta de sensibilidade não valorizar os ganhos em produtividade resultantes dos investimentos feitos em tecnologia’’, comentou.
Este ano, afirmou, o país economizou US$ 1 bilhão em importação de produtos têxteis, graças à produção de maior quantidade de algodão para o consumo interno. Fora isso, o número de contratos assinados com empresas estrangeiras indica que foram disponibilizadas 100 mil toneladas para exportação.
‘‘O setor vai evitar perdas de divisas e gerar 100 milhões de dólares em exportação neste ano. Para continuar se desenvolvendo, é preciso haver políticas duradouras com regras transparentes estabelecidas antes do plantio, garantindo um preço mínimo e diminuindo os riscos de prejuízo’’, analisou.

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