Emerson Cervi
De Ponta Grossa
A colheita mecanizada de feijão sempre teve limitações no Brasil, mas este cenário vem se modificando nos últimos anos. Em 1998 havia apenas duas máquinas para colher feijão no Paraná. Agora são 42 colhedeiras. Na região dos Campos Gerais, onde o nível tecnológico das lavouras de feijão é alto, cerca de 20% do feijão são colhidos pelo sistema mecanizado. ‘‘Estamos crescendo rapidamente porque os produtores começaram a notar as vantagens das colhedeiras’’, afirma o engenheiro Christian Queiroz Gonzalez, da empresa de máquina agrícolas Case.
Em demonstrações feitas no dia-de-campo realizado na quarta-feira passada em Ponta Grossa, a empresa mostrou as novas colhedeiras que estão adaptadas às condições brasileiras. ‘‘Os principais problemas na colheita mecânica eram as perdas quando a plataforma trabalhava muito distante do solo ou a sujeira, quando a regulagem era muito baixa’’, explica. ‘‘Nossas máquinas têm um sistema de flutuação automática para a plataforma acompanhar o relevo do solo, diminuindo as perdas e a quantidade de terra nos grãos’’, explica.
InovaçõesO kit de feijão das colhedeiras Case tem outras inovações. Além da flutuação automática da plataforma, as máquinas possuem três peneiras para selecionar melhor os grãos, um extrator de pó e um sistema de trilhas axial, pouco agressivo, que faz a debulha das vagens com menor índice de quebra de grãos.
Entre as vantagens assinaladas pelo engenheiro para a colheita mecanizada em relação a semimanual está a maior agilidade do processo. No sistema tradicional, o produtor precisa de 18 pessoas por dia para colher e debulhar um hectare de feijão. A colhedeira faz entre 2,5 e 3 hectares por hora. Os custos também são menores: enquanto a mecanizada fica em R$150,00 por hectare, na semimecanizada o arranquio fica em R$100,00 o hectare e o serviço da debulhadeira em R$80,00.
LimitaçõesRecomendaçõesA assistência técnica só recomenda esse tipo de colheita em variedade com porte ereto. Existem dezenas de variedades no mercado com essa característica. Nas espécies de porte semi-ereto as perdas são muito grandes e inviabilizam financeiramente o sistema.
Outro cuidado é com o microrrelevo da área. A máquina pode ser usada em qualquer tipo de solo, desde que não haja covas entre as linhas das plantas. O sistema de discos para abertura de sulcos na hora do plantio cria pequenas ondulações entre as linhas de cultivo e isso prejudica os sensores da plataforma, que não colhe as vagens da parte inferior da planta. ‘‘O agricultor tem que plantar pensando na colheita. O ideal seria ele passar um rolo para nivelar o solo após a semeadura’’, afirma Christian Gonzalez. Lavouras em plantio direto não apresentam esse problema.Máquinas adaptadas às condições brasileiras estimulam os produtores a mudar o sistema de colheita de feijão
Cerca de 20% da colheita de feijão da região de Campos Gerais, são mecanizadosPlataforma acompanha relevo do solo, reduzindo perdasO dia-de-campo realizado em Ponta Grossa reuniu produtores de feijão de todo o EstadoO feijão é uma cultura tradicionalmente cultivada em pequenas áreas, e o custo da colheita mecânica tem estimulado a tercerização