Cresce a área com adubação verde
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sexta-feira, 01 de maio de 1998
Cristina Côrtes 
Aumenta a cada ano no Paraná a área com adubação verde, tanto no inverno como no verão. Os resultados da pesquisa oferecem aos produtores várias opções para adubação, em diferentes épocas, para atenderem a diferentes sistemas de produção, inclusive com espécies de cobertura bastante precoces que podem ser cultivadas em períodos curtos. Não queremos que o produtor deixe qualquer área com mais de 30 dias sem cobertura, e para isto já temos recomendado algumas variedades, informa o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Ademir Calegari.
No ano passado os paranenses plantaram aproximadamente 800 mil hectares (ha), enquanto São Paulo atingiu 70 mil ha e Santa Catarina plantou precisamente 332.006 ha. Calegari justifica o crescimento da área de cobertura verde no Paraná como resultado da conscientização dos produtores e, principalmente, da preocupação com a rentabilidade da atividade agrícola.
Tendência mundialSegundo Calegari, o crescimento da utilização de adubos verdes é uma tendência forte hoje em países desenvolvidos como os Estados Unidos e também em países subdesenvolvidos da África. E o Brasil se destaca como o País que mais tem variedades disponíveis para difundir esta prática.
O pesquisador, que viaja na próxima semana para os Estados Unidos para falar dos trabalhos aqui realizados, comenta que hoje todas as universidades americanas têm projetos de estudo dos níveis de nitratos no lençol freático. O uso intensivo de adubação nitrogenada já contaminou as águas subterrâneas em várias regiões. Um exemplo é a cidade de Columbo, capital de Ohio, que já não tem água potável disponível e tem que buscá-la a quase 200 quilômetros de distância, conta Calegari.
A alternativa que os americanos estão buscando para recuperação do solo é através da adubação verde, com rotação de culturas e plantio direto. Na Georgia, a experiência já deu certo. Depois de 150 anos de exploração intensiva com plantios de algodão, o Estado teve que se render a práticas de recuperação e hoje é uma das regiões americanas que mais se destacam na produção agrícola.
Custo-benefícioA relação custo-benefício do plantio direto é considerada altamente favorável, e este é um dos fatores que tem despertado o interesse dos produtores. Não somos contra o uso da adubação química, quando necessário, mas o abuso ou as promessas de milagres em algumas áreas são prejudiciais, diz Calegari.
Em muitas áreas os resultados da adubação verde estão sendo comprovados pelos próprios agricultores. Em Imbituva, na região de Ponta Grossa, a média de produtividade do feijão é de aproximadamente 40 sacas/alqueire, e com a adoção de plantas de cobertura como a ervilhaca e aveia, a média foi elevada para 90 sacas/alqueire, depois de três anos, em algumas propriedades.
Além de elevar a produção, o mato foi melhor controlado, com redução do custo e produção de aumento de rentabilidade.A questão da renda líquida é fundamental para manter o produtor na atividade. Não adianta produzir muito, com um custo muito alto, como acontece com o uso de insumos caros. No final não sobra nada para o produtor, destaca.
Com soja, os benefícios também são muitos. O agricultor Genésio Camolese contou que na sua área de soja em Santa Mariana, depois da adubação com milheto a produtividade aumentou para 135 sacas/alqueire.
Efeitos no soloA adubação verde traz importantes efeitos químicos, físicos e biológicos ao solo. Os principais benefícios químicos são o acúmulo de matéria orgânica ao longo dos anos, o incremento na formação de ácidos orgânicos, fundamentais no processo de solubilização dos minerais no solo e maior disponibilidade de macro e micronitrientes nas camadas superiores do perfil do solo.
Os resíduos das plantas, tanto pelo efeito da massa vegetal na superfície ou através das raízes provocam alterações positivas em algumas propriedades do solo, com aumento da capacidade de retenção da água, elevação dos índices de infiltração, melhor aeração, com melhor aproveitamento da água.
Quanto aos feitos biológicos, estudos demonstram que o aumento populacional dos microorganismos afeta qualitativa e quantitativamente as diferentes infestações de espécies invasoras e também proporciona redução de doenças. Já são conhecidos os efeitos das espécies como aveia preta, centeio, azevém, ervilhaca, nabo-forrageiro, espérgula, crotalária juncea, mucuna, guandu, calopogônio e feijão-de-porco no controle de várias espécies de plantas invasoras. Outras espécies de plantas forrageiras têm apresentado efeitos positivos na redução de doenças das raízes. São elas aveia, serradela, ervilhaca, tremoço, linho e colza, que foram identificadas como promissoras em estudos realizados no Rio Grande do Sul.


