Créditos de carbono na berlinda
O município de Querência do Norte, na Região Noroeste, possui a única cooperativa do Paraná que iniciou o processo de comercialização de créditos de carbono. A Cooperativa de Produtores Familiares de Crédito de Carbono do Paraná (Coopercarbono) foi criada em 2008, por meio do programa Paraná Biodiversidade. A cooperativa, que possui 187 integrados, ainda não emplacou, segundo Alberto Carlos Moris, técnico da Emater de Paranavaí.
Moris revela que dois fatores imperram o desenvolvimento da cooperativa. O primeiro deles está relacionado à alta burocracia no processo de autorização de comercialização de carbono. ''Até agora, houve poucas vendas de créditos, isso porque a demanda ainda é muito baixa'', destaca. Um dos únicos trabalhos realizados pela Coopercarbono na região foi a captação de carbono por meio da plantação de eucaliptos em propriedades rurais. Porém, afirma Moris, os trabalhos foram pequenos. ''O cooperado está frustrado'', desabafa o técnico da Emater.
Joaquim Reis, supervisor do departamento jurídico da cooperativa Integrada, revela que formalizar um acordo de compra e venda de créditos de carbono é caro e demorado. ''Um projeto não sai por menos de US$ 110 mil para uma empresa que queira comprar créditos de carbono'', revela. Só o relatório preliminar, segundo Reis, fica em torno de US$ 15 mil, sendo que o projeto em si fica em torno de US$ 20 mil. O mais caro nesse projeto, acrescenta o especialista, é o registro e também a certificação, ambos custam US$ 30 mil dólares.
Além desse custo elevado, a burocracia e a metodologia são outros entraves para a adesão de empresas e produtores no comércio de créditos de carbono. Para se ter uma ideia, no início do projeto, estudos como cálculos de emissão, planejamento do processo de captação de carbono e os impactos ambientais que essa captação causará já estão na primeira fase do projeto.
''O processo é muito demorado e burocrático, além de ser caro. Por isso é que poucas empresas se interessam em entrar nesse mercado'', avalia. Reis explica que o comércio de créditos de carbono é realizado por meio de leilões na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O especialista da Integrada completa que o futuro do mercado de créditos de carbono no Brasil é incerto.
Isso, explica ele, porque no próximo ano, com a renovação do protocolo de Kyoto, o Brasil pode passar de país em desenvolvimento para emergente. ''Se isso acontecer, teremos que comprar créditos de carbono ao invés de vender'', sublinha Reis. O futuro do setor no Brasil, acrescenta o especialista, poderá depender da reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas que ocorre em 2012. (R.M.)





