Ribeirão Preto - A calmaria no setor citrícola brasileiro durou pouco. A disputa agora é sobre o preço mínimo de R$ 10 da caixa de laranja (40,8 kg) fixado pelo governo federal como exigência para as indústrias de suco obterem crédito para estocagem do produto.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, o acordo para o lançamento da linha de financiamento especial era fixar o valor de referência de R$ 11,80 para a caixa da fruta, não os R$ 10 informados.
O Ministério da Agricultura lançou na semana passada a linha de crédito de R$ 300 milhões para a estocagem de suco de laranja pela indústria com objetivo de conter a queda nos preços da fruta diante da boa expectativa de produção da safra atual.
No entanto, o efeito acabou sendo oposto. ''O governo cedeu à pressão da indústria e quebrou acordo com os produtores de laranja, que era o fixar um preço-referência de, no mínimo, R$ 11,80 a caixa da laranja'', diz Viegas. A Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura não se manifestou.
O presidente-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR , Christian Lohbauer, afirmou que a indústria vai recorrer ao crédito para evitar que o preço da fruta no Brasil e do suco no exterior tenham redução.
''Esse [financiamento] foi um grande passo para o setor, que caminha para um entendimento entre preços e custos de produção'', disse. Mas não falou sobre a reclamação da Associtrus. Ele afirmou ainda que o setor discute participação nos lucros das vendas com o sucesso do plano lançado pelo governo. ''O excedente que conseguirmos com as vendas de suco no exterior será repartido entre os produtores.''

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