Crédito e política agrícola
Crédito e política agrícola
Renato Antonio Fontana
Até l964 a agricultura brasileira era desprovida de qualquer política agrícola que desse ao produtor condição de produzir em escala de mercado. Nossa agricultura era de subsistência, com exceção para a cultura do café.
Com o advento do crédito rural instituído em l964, considerado como o instrumento de política agrícola, a agricultura entrou em escala de mercado, patrocinado por crédito subsidiado e farto, incentivando o uso de insumos modernos, como sementes selecionadas, fertilizantes, defensivos, sais minerais, etc. Época em que ocorreu o Milagre Brasileiro.
Na década de 80, os subsídios do Crédito Rural (única fonte de subsídio à agricultura) começaram a ser retirados, deixando a agricultura sem nenhuma política agrícola definida. A região do arenito caiuá (Noroeste do Estado), onde predominou a cultura do café, começou a sofrer a sua decadência, em razão da falta de preços, custos elevados, sem crédito e, principalmente, por uma legislação trabalhista que desequilibrou a relação trabalho-capital e fez com que as lavouras de café fossem erradicadas e substituídas por pastagens extensivas, uma vez que as lavouras anuais, em razão da constituição arenosa de nosso solo, não eram apropriadas, favorecendo a erosão.
Atualmente, chegamos numa situação, onde as pastagens se encontram, boa parte, degradada e com baixa rentabilidade econômica. Associada a globalização de mercado, urge que os governantes dediquem programas especiais de crédito e, principalmente, uma política agrícola nacional realista, que dê sustentação a um setor que se encontra, há muito marginalizado.
A agropecuária tem sido, ao longo dos tempos, a maior empregadora de mão-de-obra e alavanca do progresso comercial e industrial, quando ocorrem boas safras e bons preços dos produtos como a soja, laranja, café. Nestas ocasiões as regiões produtoras despontam nos consumos de máquinas, eletrodomésticos, insumos, automóveis, imóveis, etc.
Os governos municipais da região de Umuarama, conscientes do problema, começam a realizar programas que integram agricultura e pecuária, já preconizados por técnicos, através de técnicas modernas como o plantio direto, como forma de melhorar a economia do produtor e da região.
A integração da agricultura-pecuária através de técnicas modernas já à disposição dos produtores, vai recuperar nossas pastagens a médio prazo, rotacionando a agricultura, com soja e milho, onde após o seu cultivo aumenta a fertilidade do solo com a presença de matéria orgânica, melhorando consequentemente as pastagens subsequentes, com baixos custos.
Mas os produtores interessados nestas tecnologias esbarram na dificuldade de crédito, que começa na aquisição de calcário, além da grande burocracia e exigências que se tornou o Crédito Rural. Prova ainda deste descaso, é que o Banco do Brasil aplicou nesta safra, até o momento, apenas 50% da demanda de crédito para custeio, quando já estamos com a lavouras em fase de plantio. A promessa do Governo Federal era de que, este ano, o crédito não faltaria e viria mais cedo, ou seja, em época oportuna.
Repudia a agricultura brasileira, quando lemos nos jornais que a isenção fiscal vai de universidade a refrigerantes e, que o Governo Federal deixará de arrecadar R$ 15,3 bilhões, dinheiro suficiente para revolucionar a agricultura brasileira.
Os agropecuaristas precisam se unir e participar ativamente dos Sindicatos Rurais, Federações de Agricultura e Sociedades Rurais para poder reivindicar, de forma conjunta, medidas que possam melhorar a atividade agropecuária, além de escolher representantes políticos que defendam os interesses do setor.
O autor é advogado e pecuarista, Presidente do Sindicato Rural de Umuarama





