Crédito contra perdas na colheita
As projeções para a safra de soja na América do Sul deverão fazer com que o produto da região ganhe importância no mercado mundial. A estimativa é que os países sul-americanos colham cerca de 42,7 milhões de toneladas, das quais, se continuarem os percentuais obtidos em safras anteriores, o Brasil produzirá em torno de 23,2 milhões de toneladas. Com uma produtividade de 2.016 kg/ha em 1995, o Brasil, no entanto, tem um índice de perdas na colheita e transporte entre 8% e 10%, o que representa US$ 700 milhões de prejuízo. Este desperdício pode agora ser diminuído, graças à liberação da nova linha de crédito para compra de máquinas agrícolas, anunciada pelo Governo Federal.
A Linha de Crédito Especial-Finame, autorizada pelo Conselho Monetário Nacional no dia 28 de novembro, deverá aumentar de 30% a 40% a venda de colheitadeiras para a próxima safra e favorece a renovação do parque de máquinas agrícolas brasileiro, um dos problemas que afetam a produtividade. Através desta linha, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) destinará R$ 200 milhões, com juros fixos de 16% ao ano, e prazo de cinco anos para pagamentos anuais e semestrais.
Sucateamento Calcula-se que a idade média da frota de colheitadeiras no Brasil é de dez anos, quando o recomendado internacionalmente é de, no máximo, sete anos. Além do baixo desempenho, as máquinas antigas podem acarretar perdas de 8% a 10% na hora da colheita, enquanto o índice de perdas de uma colheitadeira nova é de no máximo 1,5% em condições ideais, afirma Rasso von Reininghaus, diretor comercial da New Holland. Na sua opinião, a entrada de novas máquinas no campo deverá influir positivamente na produtividade da próxima safra.
Segundo Reininghaus, as vendas do setor no próximo trimestre deverão saltar das mil unidades previstas para 1.400 colheitadeiras. A New Holland, líder no mercado interno do produto, deverá manter sua participação atual de 40%. Para o diretor comercial, o incremento nas vendas se explica pela necessidade do setor agrícola renovar seu parque de máquinas. A frota brasileira de t ratores e colheitadeiras envelheceu muito nos últimos anos, pela ausência de linhas de crédito favoráveis ao agricultor.
O crédito Há muito tempo os produtores brasileiros esperavam um financiamento para máquinas agrícolas com taxa de juros pré-fixadas em substituição à oferecida anteriormente pelo BNDES, cujas taxas variavam de acordo com a TJLP - Taxa de Juros de Longo Prazo, acrescidas de 6% ao ano,considerada elevada pelo agricultor.
A nova linha pode ser solicitada somente até novembro de 97; prazo de financiamento de 5 anos, pagável em parcelas anuais ou semestrais. Destinada apenas para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas novos, saiu em duas versões. A mais abrangente pode ser solicitada por pessoas físicas e jurídicas, produtores rurais e cooperativas; a modalidade simplificada destina-se apenas a pessoas físicas (produtores rurais).
Outra diferença que aparece nas regras da linha de crédito diz respeito à manutenção dos valores financiados, que é de no máximo 88% do preço do equipamento nas regiões Sul e Sudeste e de até 99% nas demais regiões do País.





