Os produtores esperam uma ação forte contra os lucros do varejo. Mas o relatório da CPI parece focar a qualidade
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Alimentos do Paraná, que está investigando os principais problemas e dificuldades desse mercado, deve passar o relatório referente ao setor leiteiro, para aprovação final da Assembléia, até o dia 25 de junho. A informação é de Osmar Buzinhani, coordenador do Programa de Qualidade do Leite do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), designado pela Secretaria de Agricultura para acompanhar o trabalho da CPI.
Adiantando algumas conclusões do relatório final, Buzinhani informa que a CPI recomendará que os produtores de leite procurem adotar padrões mais elevados de qualidade, com o objetivo de conquistar maior abertura de mercado e melhores condições de negociação.
Também com o objetivo de reforçar o poder de negociação dos produtores, a CPI deve encaminhar aos órgãos públicos envolvidos com a produção de leite um pedido de reorganização do setor, buscando diminuir o impacto causado pela defasagem entre o grande número de produtores de leite e o de processadores industriais do produto final, bastante restrito.
Para que os produtores de leite não fiquem na incerteza, nem precisem fazer exercícios de futurologia em relação ao preço de seu produto, a CPI vai recomendar a implantação, em prazo de 60 a 90 dias, a partir da aprovação do relatório, de um mecanismo que institua preço de referência, a ser informado para todo Estado até o dia 30 de cada mês. A CPI também deve sugerir aos produtores de leite, com base na constatação de que apenas 45 a 50% deles são cooperativados, que adotem o contrato como forma de se proteger de problemas futuros.
A CPI identificou ainda uma excessiva concentração de poder no varejo, o que traz prejuízos tanto para a indústria processadora, que fica com uma margem de manobra muito pequena na negociação do produto final, quanto para o produtor, o mais prejudicado, em termos de confiança na rentabilidade do seu negócio. Outra denúncia, acolhida pela CPI, refere-se à utilização de leite em pó importado - com preços mais convenientes por conta de subsídios auferidos no país de origem -, em programas sociais do Governo, como a merenda escolar, por exemplo.
Em relação ao setor industrial especificamente, o relatório final da CPI deve registrar uma preocupação com a questão ambiental, já que cerca de 80% das embalagens conhecidas como ‘‘longa vida’’ não estão sendo recicladas adequadamente, comprometendo, assim, por muitos anos, o meio ambiente.
Como informa Buzinhani, uma vez aprovado na Assembléia, o relatório da CPI seguirá para os órgãos competentes, visando a implantação dos procedimentos recomendados.
Independente do resultado da CPI, já está decidida a criação de uma Comissão Permanente sobre o assunto, reunindo representantes da Assembléia Legislativa, da Secretaria Estadual de Agricultura e de organizações do setor leiteiro, com o objetivo de investigar denúncias e de oferecer sugestões para o constante melhoramento dessa cadeia produtiva.

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