Couro tipo exportação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Falta couro no Brasil e no mundo. A crise pecuária, reforçada pelo escândalo da aftosa, mas, principalmente, pela desvalorização do dólar, deve culminar numa redução de 6% da produção brasileira de couro este ano. Descapitalizados, os pecuaristas investiram menos na atividade, o que culminou na diminuição do número de abates. Em consequência, a indústria tem pago o dobro pela pele bovina, em comparação ao ano passado.
''A alta carga tributária é o grande entrave da indústria do couro'', afirma o empresário Edson Vanzella Pereira de Souza, sócio do Curtume Vanzella, de Rolândia. Segundo ele, para obter melhores preços, os curtumes têm preferido exportar.
A baixa qualidade técnica do couro brasileiro é outro fator determinante para a remessa de matéria-prima para a Itália e China, principais compradores do produto nacional, assinala Souza. ''Destinado principalmente para o uso em estofamentos, quase 80% do couro brasileiro é exportado.''
Para Edson Souza, o mercado mundial é francamente comprador. Até o final da década de 1990, o couro era destinado quase que exclusivamente para a indústria de calçados e artefatos. Hoje o cenário se inverteu. Metade da produção é usada pelas indústrias automobilística e de móveis, 30% é destinada ao setor calçadista e 20% é usada na fabricação de artefatos, explica o empresário.
Segundo ele, mesmo de baixa qualidade técnica, o couro brasileiro é aceito no mercado internacional ''devido à falta de matéria-prima''. Em volume, o Brasil é o maior produtor mundial, seguido pelos Estados Unidos, Índia, Argentina e Austrália. Já em termos de qualidade, o couro nacional perde para o material norte-americano, argentino e australiano, mas equipara-se ao produto indiano.
A projeção para 2006, prevê, é de que a produção nacional supere 40 milhões de couros. Deste total, 5,5% ou 2,2 milhões de couros devem ser produzidos no Paraná. Esse número reflete exatamente o total de animais que devem ser abatidos, já que um couro equivale a uma cabeça de boi. ''Serão abatidas 2,5 milhões cabeças a menos este ano'', lamenta Souza.
Segundo ele, mais enxutas, as indústrias têm trabalhado no máximo da eficiência produtiva no intuito de evitar gastos. Hoje, enumera, 65% dos custos de produção dos curtumes equivalem à compra de matéria-prima dos frigoríficos. O restante representa os mais de 20 produtos químicos utilizados no curtimento da pele, pagamento de funcionários e despesas da indústria em geral. ''A margem de lucro do setor é muito pequena e não tem superado 3% ao ano'', diz o empresário.
Para ele, ninguém tem se destacado na cadeia, ''nem o pecuarista, muito menos o frigorífico e certamente não o curtume. O lucro é reduzido para todos os elos''. Mesmo apostando na exportação, os curtumes ainda não conseguiram repassar a alta dos custos no preço do produto exportado. ''Os países estrangeiros só vêm para o Brasil em busca de matéria-prima. Ninguém quer industrializar a produção aqui porque a carga tributária é muito grande'', argumenta.


