Mais que os rendimentos com a carcaça, a pecuária brasileira pode aumentar o faturamento com um melhor aproveitamento do couro do boi. Erros comuns no manejo dos animais, como a utilização errada da marca de fogo e as cercas de arame farpado, provocam defeitos no couro e, com isso, derrubam a qualidade e o valor de mercado do produto. Dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), mostram que o País contabiliza perdas superiores a US$ 1 bilhão nas mais de cinco milhões de peças produzidas anualmente.
Para reduzir essas perdas o CICB em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estão investindo na informação e conscientização dos pecuaristas. Várias ações pela melhoria da qualidade do produto nacional estão sendo desenvolvidas através do Programa Brasileiro da Qualidade do Couro. No Paraná, a divulgação do programa teve início esta semana, com palestras dirigidas aos integrantes da cadeia produtiva, realizadas em Umuarama, durante a Expo Umuarama.
A coordenadora do programa, Creusa Marlene Batista, alerta que a adoção de cuidados essenciais na criação de um gado de qualidade pode garatir ganhos adicionais também com o couro. Como exemplo ela cita o combate aos ectoparasitas, a manutenção de pastos limpos e ainda que, no manejo, sejam evitados o uso de cães e instrumentos pontiagudos, como os ferrões manuais. Um dos danos mais comuns, de acordo com Creusa, está no local utilizado para as marcas de fogo. ''Gado se marca na cara ou na junta do joelho'' orienta. A qualidade das peças inteiras do couro brasileiro, de acordo com a coordenadora, alcançam em 100% o valor do produto americano.
A cadeia produtiva do couro, de acordo com o Centro das Indústrias de Curtumes, é um dos grandes motores da economia brasileira. A atividade movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano só no ano passado as exportações atingiram a soma de US$ 4 bilhões. O setor reúne sete mil indústrias, emprega mais de 500 mil pessoas.
Por possuir grande oferta de matéria-prima, o Brasil apresenta enormes vantagens competitivas no mercado internacional, além de ser o segundo maior produtor de couros do mundo, com 39,5 milhões de peças/ano. Desse total disponível, cerca de 12 milhões de couros de alto valor agregado foram destinados ao mercado interno para a indústria calçadista, de estofados e de artefatos , movimentando ao redor de R$ 4,5 bilhões. Para 2005, a projeção é de um incremento nas exportações da ordem de 15%, alcançando US$ 1,6 bilhão.

Serviço: Mais informações sobre o Programa Brasileiro da Qualidade do Couro pelo telefone (34) 3236-0299.

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