Couro perde investimentos
Por não adotar as mesmas regras empregadas por nossos principais concorrentes, como China, Itália, Argentina (que restringem ou inibem a saída de matéria-prima e exportam produto acabado, gerando divisas e empregos), o Brasil está perdendo investimentos da ordem de US$ 1 bilhão. Este é o total de investimentos que a cadeia produtiva do couro havia programado, este ano, em novas unidades industriais.
Além de investimentos, o Brasil também está perdendo receitas de exportações. Os embarques de produtos acabados de couro, que atingiram US$ 3,3 bilhões no ano passado, poderiam totalizar US$ 10 bilhões, gerando 570 mil novos postos de trabalho, caso o Brasil não desse prioridade às exportações de wet blue (couro semibruto), em detrimento das vendas de produtos acabados, que agregam valor à produção.
Em decorrência, o País perde excelente oportunidade para abrir novos postos de trabalho. Vale lembrar que o aumento das exportações registrado entre 2001 e 2003, da ordem de US$ 632 milhões, representou a criação de 10 mil novos empregos. Os dados são do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e foram divulgados esta semana pela assessoria do órgão.
Não bastassem as exportações de empregos e divisas, o Brasil também está exportando mão-de-obra qualificada. Existem hoje cerca de 800 técnicos brasileiros, formados pelo Centro Tecnológico de Couros e Calçados, trabalhando em empresas chinesas, ensinando os trabalhadores asiáticos a transformar o wet blue brasileiro (cujo corte é diferente do wet blue europeu) em produtos acabados, para exportação.
Maior valor agregado
Comparação das cotações do produto semi-acabado e acabado
Produto Valor de Exportação
Wet blue US$ 30
Couro acabado US$ 90
Sapato (couro transformado) US$ 350
Fonte: Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB)
Multiplicando empregos
O produto acabado emprega 125 vezes mais mão-de-obra do que o couro wet blue
Produto Empregos diretos
1 milhão de Couros Wet Blue 300 empregos
1 milhão de Couros Acabados 1.000
1 milhão de Couros transformados em calçados e estofados: 25.000 empregos.
Fonte: Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB)





