Couro de peixe de Pontal do Paraná é a 26ª Indicação Geográfica do Paraná
O selo reconhece a tradição e a reputação do município na transformação sustentável de peles de peixes em couro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de maio de 2026
O selo reconhece a tradição e a reputação do município na transformação sustentável de peles de peixes em couro

O couro de peixe de Pontal do Paraná conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento foi divulgado nesta terça-feira (12) e reforça a liderança do Paraná no ranking nacional, agora com 26 produtos certificados com selo de IG.
O selo de IG reconhece a tradição e a reputação do município na transformação sustentável de peles de peixes em couro, prática que une reaproveitamento de resíduos da pesca artesanal, geração de renda e valorização da cultura caiçara. Atualmente, 16 produtores atuam diretamente na atividade e cerca de 30 famílias são beneficiadas de forma indireta por meio da cadeia produtiva.
O pedido de registro foi protocolado em outubro de 2025. A mobilização envolveu a Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Sebrae Paraná, Prefeitura Municipal de Pontal do Paraná, Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), e o Conselho Municipal de Turismo. O trabalho teve origem em 2008, dentro do programa Universidade Sem Fronteiras da Unespar, com coordenação da professora Kátia Kalko Schwarz.
A certificação foi concedida na modalidade Indicação de Procedência, reconhecimento destinado a regiões que se tornam referência na produção de determinado produto. No caso de Pontal do Paraná, o selo está ligado à reputação e à tradição dos produtores caiçaras no aproveitamento de 16 espécies de peixes para a transformação sustentável da matéria-prima em couro com valor agregado e geração de renda.
Para o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona, a conquista da Indicação Geográfica para o couro de peixe de Pontal do Paraná representa a integração entre saber tradicional e inovação científica. "Ao mesmo tempo em que esse projeto valoriza a cultura caiçara e a identidade das nossas comunidades litorâneas, coloca a ciência, por meio da atuação da Unespar, como ferramenta central para o desenvolvimento sustentável e tecnológico. A participação da Seti nessa mobilização reafirma o nosso compromisso de transformar saberes populares em ativos de inovação com reconhecimento nacional", afirma.
Já o diretor-presidente do Instituto de desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Natalino Avance de Souza, destacou que a conquista da IG para o couro de peixe de Pontal do Paraná é mais uma conquista que valoriza a produção paranaense. “É mais uma conquista do nosso povo e a garantia de que teremos um produto ainda mais valorizado no mercado. Parabéns à população de Pontal e ao Sebrae por essa parceria histórica que viabilizou esse marco”, disse.
TRAJETÓRIA
A busca pela Indicação Geográfica começou em 2023, com a estruturação da associação, capacitações para qualificação da cadeia produtiva e elaboração do caderno de especificações técnicas. O documento reúne todas as etapas necessárias para a produção do couro, desde a aquisição e limpeza das peles até secagem, tingimento, amaciamento e comercialização.
A expectativa da associação é alcançar neste ano o curtimento de 600 quilos de peças, que é o processo químico e artesanal que transforma a pele bruta do peixe em couro. Com a certificação, a visibilidade deve fortalecer a geração de renda do produto e incentivar a entrada de novos integrantes na atividade artesanal.
SEM CHEIRO E MAIS RESISTENTE
O processo produtivo utiliza peles de espécies de água doce e salgada, como linguado-abaxial, robalo flecha, robalo peva, parú, corvina, pescada amarela, miraguaia, tainha, prejereba, peixe-porco, cavala, salmão e tilápia. As várias opções resultam em diferentes texturas de couro.
Para transformar a pele em couro, estudos de quase duas décadas foram feitos em laboratório da Unespar. Graças à academia, o produto não utiliza o cromo, que é um substância tóxica muito comum em produtos de curtimento de pele bovina.
Após a compra da pele do peixe, os produtores realizam a limpeza manual para retirar resíduos de carne e gordura. Em seguida, o material passa pelo processo de curtimento, que estabiliza as proteínas e transforma a pele em um couro sem odor e adequado para diferentes aplicações por conta da elasticidade.
Outro diferencial é a resistência do couro do peixe, que é até três vezes maior que o bovino, como comprovado em pesquisa feita pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e na Universidade de São Paulo (USP). Isso acontece por causa da disposição das fibras de colágeno na pele do peixe. Elas formam uma estrutura entrelaçada, quase em “X”, que distribui melhor a força e reduz rasgos. No couro bovino, as fibras costumam ser mais paralelas.
Após os processos químicos de curtimento do couro, ocorre a pintura, que pode ser feita com urucum, para tons avermelhados; ou cúrcuma, em amarelo. Por fim, a última etapa é a hidratação e secagem que é feita na sombra. Todo o processo dura dois dias e meio, enquanto o do couro bovino leva em torno de uma a duas semanas.
Os produtos confeccionados incluem bolsas, colares, chaveiros, cadernetas e peças de artesanato. O couro de peixe de Pontal do Paraná já alcança mercados internacionais, com comercialização para países como Alemanha, França e Portugal. (Informações da Agência Estadual de Notícias)


Da Redação
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