Cotação média do grão aumenta 62% em um ano
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sexta-feira, 05 de agosto de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 


A cotação anual do milho teve alta de 62,7% nos primeiros seis meses deste ano, em relação à média de 2015. O valor passou de R$ 21,68 no ano passado para R$ 35,27 nos primeiros seis meses deste ano, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Hoje entre R$ 35 e R$ 40 no Paraná, o valor já margeou os R$ 50 ao longo de 2016.
A disparada nos preços se deu após redução na área plantada ao longo dos anos, ao menos desde 2013. Naquele ano, o valor médio de R$ 23,52 registrado em 2012 caiu para R$ 19,98, o que representava praticamente o custo de produção. Boa parte dos agricultores migraram para outras culturas, o que levou a uma recuperação dos valores nos anos seguintes, que culminou no cenário atual.
Professor de economia rural da FAE e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eugenio Stefanelo afirma que as cotações atingiram o cenário atual após a quebra de safra nos Estados Unidos. "O Brasil exportou 34 milhões de toneladas em 2015 e neste ano não deve passar de 15 milhões", calcula.
Porém, o estrago nos estoques nacionais deve durar mais um tempo. Stefanelo acredita que o Paraná não sofrerá desabastecimento, mas que a cotação continuará alta. "Nossa produção nas duas safras deve ser de 14,5 milhões de toneladas, suficiente para o consumo interno de 10,5 milhões", cita. O excedente deve ser vendido para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o exterior. "Fora para cumprir contratos firmados anteriormente, não deve ter direcionamento da produção para fora daqui porque o preço interno está muito bom", completa.
Por outro lado, ele acredita que a boa remuneração resulte em um aumento da área plantada no Estado. Outra consequência boa tende a ser o aumento da rotação e da diversificação de culturas, o que melhora a situação do solo. "Estamos sob os efeitos da La Niña e a diversificação permite fazer plantio em vários momentos diferentes, o que reduz o risco de perdas", explica o professor.
Para o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, por mais que o Paraná não corra risco de desabastecimento, o mercado interno nacional pode sofrer mais. "Tivemos quebra de safra não só no Paraná, mas no Centro-Oeste também", declara. "E no Mato Grosso não é possível produzir milho no verão", completa.
Turra considera que é provável que os consumidores de milho fiquem mais atentos ao mercado neste ano, para evitar eventual escassez do produto. "Os preços se estabilizaram com o começo da safra, mas vão aumentar na entressafra do fim do ano", ressalta.
Para as cooperativas, o gerente da Ocepar enxerga dois cenários diferentes. "As que apenas mexem com grãos estão confortáveis com os preços do milho e as que consomem soja e milho ficam em condição mais complicada, embora tenham maior competitividade do que empresas privadas que só estão no setor de carnes", conta Turra.


