Cotação do dólar não deve alterar
Curitiba - O agricultor paranaense está tendo custos menores de produção, pelo menos, no que diz respeito aos insumos. De acordo com informações repassadas pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), de janeiro a setembro, os preços de fungicidas, inseticidas e herbicidas tiveram quedas de 23,2%, 16,13% e 5,85%, respectivamente. Fertilizantes e sementes também ficaram mais baratos: 10,44% e 16,34%. Por outro lado, o diesel e os salários tiveram aumento.
Para o assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, essa condição não chega a ser, exatamente, um alento para os produtores, que amargaram duas safras de verão e três de inverno em um cenário de frustração de preços e estiagem. ''Foi preciso reescalonar débitos juntos ao bancos e até com alguns fornecedores'', observou. Prova do endividamento, lembrou ele, é que agora está sobrando crédito de custeio nos bancos. ''O produtor provavelmente não conseguirá fechar as contas em 2007. Carrega, além do pagamento do custeio e investimento normal, as prorrogações que efetuou, este ano, e que impactarão nos compromissos, até o ano de 2011'', reforçou o economista da Faep, Pedro Loyola.
Nas últimas safras, o agricultor plantava com custo de produção maior e, na hora de colher, com o dólar em baixa, os preços não eram favoráveis. O que pode servir de consolo é que, nesta safra, não deverá haver tantas variações. ''O produtor está plantando com câmbio a R$ 2,15 e deve colher com o dólar a R$ 2,15 ou R$ 2,20'', projetou.
A recuperação na cotação internacional da soja, também, não deixa de abrir a perspectiva de uma safra mais promissora em relação aos preços. O grão atingiu, em outubro, o preço mais alto do ano: US$ 14,50.
Isso, na verdade, constituiu-se em uma situação atípica, destacou a economista da Faep, Gilda Bozza. Segundo ela, outubro é um mês em que, geralmente, os preços da soja na Bolsa de Chicago caem por conta da entrada da soja norte-americana. Ela acredita que o aumento teve relação com os ''rumores'' de que a safra de trigo seria menor e pelo aumento da área plantada com milho nos Estados Unidos, que ocuparia 3,4 milhões de acres de lavouras de soja, por conta da demanda para produção de etanol.
Para 2007, não há sinalização de que o dólar ultrapasse R$ 2,30, ressaltou Gilda. Mesmo assim, ela aponta a necessidade do produtor se cercar de mecanismos de proteção para não ter prejuízos na hora de firmar os contratos, como o hedge ou o seguro agrícola. ''Outras janelas de preço devem acontecer entre novembro e fevereiro a partir do desenvolvimento da cultura nos países sul-americanos'', acrescentou Gilda.(A.L.)





