ÁguaLi a reportagem da Folha Rural de 22/08/98, sobre cobrança de água nas propriedades, e a minha opinião é a seguinte: se montarmos uma indústria, não somos proprietários.
Se montarmos um comércio, não somos proprietários. Os que se acham no direito de dizer o que se deve e o que não se deve fazer, como se fossem proprietários, são funcionários públicos municipais, estaduais e federais, protegidos por determinadas leis que são criadas para não serem cumpridas e sim para aplicarem multas, dessa forma endividando industriais, comerciantes e agricultores com a União.
Esses funcionários, muitas vezes, estão nesses cargos por terem padrinhos políticos, e se acham na razão de aplicar qualquer penalização a uma empresa, mesmo não tendo nenhuma visão da condição financeira dessa empresa, não se importando se vão causar desemprego ou não; que muitas vezes não cumprem essas tais leis porque estão sucateadas financeiramente, em consequência dos planos de governo, excesso de tributos e de uma máquina governamental inchada, à qual esses próprios funcionários pertencem.
A referida máquina está sempre querendo arrecadar mais, aumentando e criando imposto, cobrando taxas e fazendo muitas multas, para cobrir um buraco feito por incompetentes e corruptos. É claro que existem uns poucos honestos, e que esse buraco jamais cessará de aumentar. Aí chegam alguns burocratas sem nenhuma criatividade, que se acham no direito de meter a mão no bolso do agricultor, ao invés de usar outros meios mais criativos como citado pelo agricultor de Londrina, Hashimoto. Esses políticos têm preguiça de raciocinar para encontrar meios para solucionar os problemas, já que são muito bem pagos para tais funções. Sendo assim é mais fácil extorquir dinheiro da população, inclusive do agricultor que não tem mais condições para investimento, em razão dessa desastrosa política agrícola, da qual o agricultor só é vítima que tem sustentado este país em troca de mais miséria, desgaste de equipamentos e descapitalização.
Os governos dificilmente estimulam a agricultura, com exceção das vésperas de eleição. Aí, quando um agricultor está conseguindo produzir alguma coisa, com seus próprios recursos, gerando empregos e impostos, depois de décadas de suor e sacrifício de sua família, vêm alguns burocratas, dizendo indiretamente que não somos proprietários, que temos de obedecer as leis que eles irão criar para tampar o infinito buraco que os maus políticos aumentam todos os dias.
Desses RS$80 milhões/ano que deverão ser arrecadados, conforme citado no jornal, dificilmente alguma coisa será repassada ao devido fim pelo qual foi criado, pois grande parte será desviada e outra parte será para pagar funcionários (muitos, amigos e parentes de políticos) que ficarão nos gabinetes de terno e gravata, exigindo que todos dêem novamente mais contribuição para melhorar o meio ambiente.
Já estamos cheios dessa escravidão escondida atrás de determinadas leis; só queremos trabalhar honestamente e viver em paz com nossa família, não termos que vender nossa propriedade e fazer parte deste inferno de violência que chamam de periferia das grandes cidades e ver nossos filhos se perderem.
Hoje dizem que será cobrada uma taxa dos grandes consumidores rurais (que estão gerando empregos e renda); amanhã todos serão obrigados. Este filme já vimos antes. É só termos um pouco de memória (CPMF). - Maurílio Januário, viticultor em Ivaiporã, PR.

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