Correio rural
LeiteOs produtores de leite - especialmente os pequenos - de nossa região são homens voltados diretamente ao trabalho pessoal, que não lhes permite deixar suas atividades para, em reuniões e assembléias, reunir e discutir seus problemas. Vivem isoladamente em suas propriedades. Em razão de suas inerentes características, cabe, assim, às suas lideranças, lutar em defesa de seus direitos.
Em nosso município, o Sindicato Rural é um órgão que possui a legitimidade de postular e abraçar essa difícil empreitada. Mas, infelizmente, não sabedor dessa responsabilidade, não vem lutando por melhores dias para seus associados. Nós, produtores de leite, não encontramos apoio das lideranças e entidaes superiores, que por razões várias, não se sensibilizam com os problemas da classe.
Faxinal é uma pequena bacia leiteira, com uma produção de 12000 litros por dia, colocados na Cativa/Faxinal. Aqui também foi implantado o pagamento diferenciado do preço pela escala de produção, o que massacra os pequenos e médios produtores, atingidos pela inacreditável diferença de até 50%. As demais compradoras, inclusive as multinacionais, aderiram, de pronto, ao sistema, auferindo também enormes lucros em detrimento dos produtores. A defesa da tese da diferenciação do preço é sustentada no objetivo de fazer crescer e tornar eficiente o pequeno e médio produtor. É inconcebível aceitá-la, pois até o grande produtor encontra-se, hoje, em estado falimentar.
O resultado deste horrível método de pagamento é sem dúvida o enriquecimento das compradoras de leite, e especialmente das cooperativas..., que se tornam das maiores potências nacionais no ramo. Em contrapartida surge o empobrecimento virtural de seus cooperados, não conseguindo encontrar o ponto de equilíbrio financeiro entre cooperativas e cooperados. Temos de lutar e procurar alterar os estatutos das cooperativas, para extirpar das suas cláusulas o pagamento do leite diferenciado pela escala de produção, quando o preço quantitativo do leite será igual para todos, acrescido da qualidade.
Onde deveriam reinar os mais elevados princípios de cooperativismo, ao invés de ajudar seus associados lançam o perverso plano de pagamento diferenciado do preço do leite pela escala de produção, aprovado pela maioria da minoria dos associados. Só isto não será suficiente, em razão do pequeno valor que é pago pelo litro de leite, com redução do preço-cota e o inacreditável do excesso. Atualmente, o livro de leite-cota está em torno de R$0,22 a R$0,23 e o excesso à razão de R$0,16-R$0,17 o litro. Um absurdo, se considerarmos que o litro de leite C ao consumidor é negociado à base de R$0,55 a R$0,60! Na época do tabelamento imposto pelo Governo, o produtor recebia o correspondente a 60% do preço final ao consumidor, que nos daria, hoje, o valor de R$0,30 a R$0,36 o litro de leite.
Jusstificam esta precária situação a infernal globalização dos preços e a entrada de produtos derivados do leite a preço baixo, através do Mercosul, em que os produtos são subsidiados em seus países de origem. Na mesma situação estiveram os produtores de tecidos, calçados, brinquedos, automóveis, etc., que conseguiram através de suas autênticas lideranças aumentar as alíquotas de importação. Por que não fazem o mesmo nossas lideranças?
Modesto Fernal, produtor de leite em Faxinal, Paraná.





