Enxertia - Venho acompanhando o suplemento Folha Rural há mais de 10 anos e, neste tempo, acompanhei ótimas reportagens, como uma sobre chocadeira de codornas que utiliza uma caixa de isopor, faz uns 10 anos. Me lembro também de matéria sobre enxertio de videira, e outras tantas que seria impossível descrevê-las. Porém, gostaria muito de ler na Folha Rural uma reportagem que falasse sobre o enxertio de frutas, como se prepara o cavalo, a melhor época, o tamanho do galho e o tipo de amarração. Espero ser atendido e gostaria que vocês continuassem assim, com amor e competência ao jornalismo agrícola. Pedro Roberto Tessaro, Toledo (PR).
A Folha Rural publicou matéria sobre produção de mudas em espécies frutíferas (inclusive as que são reproduzidas através de enxertia) no dia 27/7/96, nas páginas 6 e 7. De acordo com o agrônomo Élcio Felix Rampazzo, da Divisão de Tecnologia em Fruticultura do escritório regional da Emater em Londrina, que forneceu as informações para a reportagem, a enxertia é utilizada em espécies como acerola, caqui, abacate, maçã, pêra e o pêssego, que podem ser reproduzidas da mesma maneira, através da enxertia por garfagem.
A técnica consiste em introduzir no cavalo um ramo do mesmo diâmetro da planta que se quer reproduzir (que deve ser escolhida ‘‘a dedo’’ pelo produtor), cortando-a em forma de cunha e amarrando-a. O cavalo deve ser cortado uns 20 cm acima do solo e receber outro corte longitudinal, de cerca de três centímetros, onde será introduzida a cunha. A seguir, a região do enxerto deve ser amarrada com barbante, pano ou fita plástica, o que também protege contra a entrada de doenças e evita o acúmulo de água.
Feito isso, a nova muda estará pronta para o plantio, uma etapa que também deve receber cuidados especiais por parte do produtor. Élcio Rampazzo recomenda que, logo depois de plantada, a muda seja coberta por terra, o que evita a sua desidratação e, em caso de estiagem, seja submetida a regas periódicas. As plantas de folhas ‘‘caducas’’, que exigem este sistema de reprodução, devem ser enxertadas no período de repouso vegetativo, inverno geralmente (junho e julho).
No caso da uva, os porta-enxertos ou cavalos devem ser preparados com um ano de antecedência, utilizando variedades específicas para este fim, e enxertados até o final de julho. As estacas utilizadas como porta-enxertos devem ter no máximo um centímetro de diâmetro e no mínimo 0,5 cm, além de serem obtidas em pomares sadios e terem aproximadamente seis gemas cada uma. O corte superior deve ser em bizel (inclinado), cerca de um centímetro acima do primeiro nó, e o corte inferior, transversal, logo abaixo do último nó.
O enxerto por garfagem é semelhante ao realizado em outras espécies, mas requer cuidados específicos: o ramo da variedade escolhida para cultivo deve ter duas gemas, e o cavalo deve ser cortado de forma que fique uns 20 cm acima do solo. Outra dica importante, no caso da uva, é que este corte esteja a aproximadamente três centímetros acima de um nó, pois este ajuda a dar pressão às paredes do garfo depois de realizado o enxerto.

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