Correio rural
Conillon Tenho ouvido falar no café Conillon, produzido na África e, no Brasil, no Espírito Santo, e também que é um café ruim, de preços baixos. Eu gostaria de saber um pouco mais sobre este café. Antonio Carlos Damasceno -Londrina.
Folha Rural: O café Conillon entrou na América pelo Suriname, e em seguida na Guiana Francesa, de onde o sargento-mór (cargo que corresponde hoje ao de major das Forças Armadas) Franciso de Mello Palheta o trouxe para o Brasil. O engenheiro agrônomo Francisco Barbosa, do Ministério da Indústria e do Comércio em Londrina, explica que se trata do mesmo robusta, de nome científico Coffea canephora, conhecido como conillon. É uma variedade plantada no Espírito Santo (90% dos cafeeiros do Estado), Rondônia, Sul da Bahia e Norte de Minas Gerais (muito pouco). O Brasil, diz Barbosa, é o segundo produtor mundial dessa variedade (o maior produtor de robusta é a Indonésia, terceiro produtor mundial de café - perde apenas para o Brasil, o primeiro, e para Colômbia. É utilizado principalmente na fabricação de solúvel, porque rende mais que o arábica. Este, porém, é que dá o aroma característico do café. Por isto, o conillon não é usado sozinho. Não tem cheiro. As torrefações brasileiras também usam o conillon, na proporção de 10% a 25%, na liga do café torrado e moído para consumo interno. Não se pode aumentar a proporção, para não descaracterizar o cafezinho. O robusta é um café neutro, não tem características de bebida; por isto só é usado nos blendes e mesmo no solúvel entra sempre com arábica - ensina Barbosa, acrescentando: Trata-se de um cafeeiro de porte alto, maior do que o Mundo Novo, apresentando internódios (o espaço entre dois pares de folhas) bem espaçados; resistência à ferrugem e à seca; seus grãos são miúdos, predominando o moca; os frutos caem muito pouco no chão e como são bem firmes nos ramos, os trabalhadores têm dificuldade para catar. Tem sido experimentado como porta-enxerto, por sua característica de resistência a nematóides.
Outra característica é a fecundação cruzada, que impede uma padronização da lavoura, não sendo as características positivas, por exemplo, da planta-mãe transmitidas para as novas plantas. No Espírito Santo estão usando estaquia e até clonagem, para conseguir um padrão com as mesmas características da planta-mãe.





