Em Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana), região pioneira em plantio direto no Paraná, produtores alertam que o sistema está favorecendo o aparecimento de corós em lavouras de milho, soja e trigo. ‘‘Como o solo não é exposto ao sol, os insetos ficam protegidos de seus inimigos naturais’’, afirmou o agricultor Sérgio Higashibara.
Ele ressalta, no entanto, que o problema é superado pelos benefícios trazidos pelo sistema, representados principalmente pela conservação do solo, da umidade e da maior concentração de matéria orgânica. ‘‘A longo prazo, as perdas pela erosão causada pelo sistema convencional de plantio seriam muito mais prejudiciais’’, comentou.
Tentar manter o solo em equílibrio e fazer o plantio antes dos corós adultos iniciarem a revoada constitui maneira eficiente de evitar prejuízos com essa praga. A dica é da pesquisadora Lenita Oliveira, da Embrapa Soja em Londrina. ‘‘Antes do plantio o produtor deve verificar a situação das larvas’’, orientou.
Tipos de corósA especialista esclareceu que os corós mais problemáticos são os chamados rizófagos, que consomem as raízes da planta. Difíceis de controlar, eles saem do solo apenas na fase adulta e atacam milho, soja e trigo. ‘‘Em lavouras de soja, é bom evitar fazer o plantio se as larvas tiverem dois centímetros ou mais de comprimento’’, disse.
Outro tipo comum são os saprófagos, que consomem material em decomposição. Esse grupo de insetos não costuma prejudicar a lavoura, mas em algumas fases de seu ciclo, pode se alimentar de plantas vivas. Segundo a pesquisadora, esses corós fazem galerias verticais no solo e como se alimentam de material orgânico, são bastante encontrados em lavouras de plantio direto.
Lenita garante que o inseto causa prejuízos apenas quando há algum tipo de desequilíbrio e a população fica muito alta na fase final do ciclo. Também são prejudiciais se há pouca matéria orgânica disponível para se alimentarem. ‘‘Se o plantio direto for feito corretamente, com rotação de culturas e abundância de palha, evita-se o ataque às plantas’’, revelou, orientando que no caso da soja, é bom não plantar o milho safrinha onde houve infestação para não oferecer alimentação constante, aumentando as chances de sobrevivência da praga.
Tratamento de sementesOs produtores de Mauá da Serra fazem tratamento de sementes com inseticida para evitar os prejuízos causados pelos corós. Antes do plantio, são tratadas todas as cultivares de milho. Eles também planejam começar a tratar as cultivares de trigo. ‘‘Na soja, o controle é feito apenas em áreas onde há problemas de infestação’’, explicou Higashibara.
Ele ressaltou que o custo com controle de pragas em geral perfaz 60% do custo total da lavoura. No caso do milho, ele gasta R$ 69 por hectare (ha) apenas para fazer o tratamento de sementes. ‘‘Compensa para quem busca alta produtividade, pois se não tratar, os prejuízos podem chegar a 20%’’.
Apesar do alto investimento, o tratamento de sementes atinge de 70% a 80% de eficiência. Higashibara explica que a proteção deve ser aplicada no período inicial do ciclo das plantas, quando elas são pouco resistentes. ‘‘Se os insetos comem as raízes nessa fase, diminui o número de plantas e o desenvolvimento fica mais lento’’, avaliou.
A pesquisadora Lenita observou que o inseticida tem validade limitada e funciona apenas quando as larvas de corós estão grandes. ‘‘O ideal é plantar antes da revoada de adultos e manter o ambiente em equilíbrio. É importante aprender a conviver com a praga’’, reforçou.

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