Coró ameaça lavoura de inverno
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
Os danos causados por corós larvas de besouro que vivem no solo estão preocupando pesquisadores da Embrapa Trigo. No final do mês de maio começou a fase de danos em plantas e o produtor precisa fazer o controle a tempo de evitar perdas com a lavoura de inverno. O alerta dos pesquisadores vale para os produtores de trigo, cevada e aveia do Rio Grande do Sul e também de algumas regiões do Sul do Paraná.
Os danos podem ser severos nas manchas com população elevada. Estudos experimentais de lavoura mostram que cada larva consome aproximadamente 10 plantas de trigo, cevada ou aveia, no período de junho a agosto. Áreas com mais de 20 corós por metro quadrado eliminarão as plantas presentes, e populações de 3 a 5 corós por metro quadrado consumirão 10 a 20% das plantas de cereais de inverno, afirma o pesquisador Dirceu Gassen, da Embrapa Trigo.
RecomendaçõesRecomenda-se ao agricultor fazer a amostragem nas lavouras, para decidir onde deve plantar ou se deve usar inseticida no tratamento de sementes. A orientação vale para os produtores de trigo da região de Cascavel que ainda estão na época de plantio.
Deve-se raspar a superfície do solo, com auxílio de enxada; identificar se o coró é praga ou benéfico e definir a estratégia de controle. Existem espécies benéficas, que incorporam palha e são úteis na lavoura, relata o pesquisador. Os corós ocorrem em manchas ou lavouras isoladas e não de forma generalizada numa região.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Dirceu Gassen, o inseto apresenta ciclo biológico de um ano. Os adultos ocorrem a partir do fim de dezembro e realizam a postura nos meses de janeiro e fevereiro. As larvas jovens alimentam-se da palha que as fêmeas adultas enterraram para fazer a postura. De maio em diante elas começam a se alimentar das plantas, explica.
Plantio diretoGassen alerta que a aração de solo em áreas sob plantio direto não garante o controle de corós. Constata-se a morte em torno de 30% das larvas pela compactação da roda do trator, frisa. A abundância de palha na superfície do solo beneficia o controle biológico natural das pragas, completa.
Na sojaNo Paraná, os corós têm se tornado mais problemas na soja do que nas lavouras de inverno, mas este é um outro tipo de coró, conforme explica a pesquisadora da Embrapa Soja, Lenita de Oliveira. Segundo a pesquisadora a espécie Phyllophaga cuyabana tem atacado, principalmente, na região Centro-Oeste. Os danos na cultura da soja são causados pelas larvas, atingindo especialmente as raízes, explica Lenita.
A pesquisadora alerta que o coró que ataca o trigo no inverno não é o mesmo da soja. Portanto, não há nenhum procedimento que possa ser feito agora no invcerno, para prevenir a ocorrência da praga no verão. Segundo Lenita, existem várias espécies de corós, inclusive uma espécie que é benéfica ao solo, porque faz um trabalho de incorporação da palha. Tem espécie que prefere atacar o plantio convencional e outras o plantio direto, completa.
Neste período de inverno o coró da soja está em fase de dormência, localizando-se abaixo de 20 centímetros do solo, e não adiantaria nenhum tipo de aração. Os sintomas de ataque na soja vão desde o amarelecimento das folhas e desenvolvimento retardado até a morte das plantas.
Lenita explica que a presença de corós está muito associada ao plantio direto, mas de fato muitos produtores adotam algumas práticas do sistema de plantio direto, mas não o sistema completo. O que temos verificado é que quando o plantio direto é bem feito não haverá muitos problemas com corós, diz.
Para diferenciar as espécies úteis das pragas, definir a necessidade de uso de inseticidas e elaborar estratégias de controle, o produtor rural deve consultar os profissionais de assistência técnica. O controle químico de larvas, até o momento, tem se mostrado inviável, em função do hábito subterrâneo do inseto.


