Os avicultores que não possuem geradores de energia na propriedade estão sujeitos a perdas com a mortalidade das aves, que não suportam altas temperaturas. As granjas hoje dependem da energia elétrica, fornecimento que também está sujeito a falhas por desligamentos programados pelas companhias para manutenção da rede, ou acidentais por ocorrências climáticas.
O produtor José Antônio Cesário, de Godoy Moreira, perdeu 27 mil aves de duas granjas, num dos desligamentos programados pela Copel no mês de novembro do ano passado. ''Tive um prejuízo de R$ 90 mil'', calcula. Ele afirma que já está providenciando a instalação de um gerador.
Cesário diz que recebeu o aviso de desligamento da Copel, mas não conseguiu evitar as perdas. ''Liguei para o 0800 da Copel para pedir que o desligamento não fosse feito no dia seguinte, mas não fui atendido'', conta o produtor. Pelo serviço gratuito de atendimento ao consumidor da companhia o avicultor, em alguns casos, pode evitar o corte no fornecimento.
O produtor diz que ''faltou boa vontade'' da companhia. ''Falei com os escritórios de Ivaiporã e Apucarana, mas não fui atendido'', critica. Segundo Cesário, numa outra ocasião, foi atendido porque solicitou a intermediação de um assessor do vice-governador do Estado. Ele afirma que pretende acionar a Justiça para pedir indenização pelas perdas.
Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), afirma que recentemente houve problemas em pelo menos três granjas da região do Vale do Ivaí. Segundo ele, muitas vezes ''há falta de sensibilidade da Copel em postergar os desligamentos''. ''Muitas vezes os produtores estão com aves adultas e o aviário não pode ficar sem energia'', relata.
O presidente do sindicato concorda com a necessidade de instalação de geradores na propriedade. ''Os produtores devem seguir religiosamente as orientações técnicas'', defende. Martins afirma que as empresas que atuam na sistema de integração de aves estudam a possibilidade de implantar produção regionalizada, com granjas contendo animais da mesma faixa etária.
Helder Cordeiro Barroso, superintendente regional Norte da Copel, afirma que os avisos de desligamentos são feitos com no mínimo três dias de antecedência pelo telefone e por emissoras de rádio. ''A Copel está fazendo um mapeamento de todos os produtores para aumentar eficiência dos avisos'', diz.
Barroso afirma que o gerador é fundamental para o funcionamento da granja. ''Quando um poste é derrubado por um evento climático, são quatro horas para que o reparo seja feito e a energia restabelecida'', informa.
O superintendente afirma que a Copel procura atender as solicitações de adiamento dos desligamentos, o que nem sempre é possível. ''Tentamos ajustar o calendário, mas temos contratos com empreiteiras e a negociaçao com os produtores nem sempre é frutífera'', diz, lembrando que a atividade na granja necessita de energia ininterruptamente.
Barroso afirma que a Copel tem investido em melhorias em toda a área rural com mudanças na malha elétrica para possibilitar o funcionamento de atividades em granjas e leiterias. Uma das melhorias é a instlação de um sistema de redundância, que possibilita o acionamento de uma linha do lado oposto para garantir o fornecimento quando há desligamento de uma linha. ''É a chamada linha malhada'', explica. (R.C.)

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