A Cooperativa Agrícola Consolata (Copacol), com sede em Cafelândia, no Oeste do Estado, está desenvolvendo programas para impulsionar a cafeicultura, que está aos poucos recuperando espaço no campo e voltando ser fator de desenvolvimento econômico em sua área de atuação, como . O próprio nome do município-sede da cooperativa indica a importância do café na região.
A atividade já foi altamente rentável para pequenos agricultores associados à cooperativa, no final da década de 70 e início dos anos 80, mas regrediu devido aos baixos preços e outras dificuldades impostas pelo mercado. A retomada está sendo possível através do sistema adensado, que permite alta rentabilidade ao produtor. O adensamento consiste no plantio de dez vezes mais mudas por hectare em relação ao sistema convencional.
O resultado é produtividade duas a cinco vezes maior, em comparação com o convencional – enquanto nesse sistema as lavouras têm 600 a 700 plantas por hectare, produzindo em média 30 sacas (em safra boa), o adensado utiliza de 6 a 10 mil pés por hectare, e a produção pode chegar a 100 sacas. Além do assessoramento técnico que oferece aos agricultores, a Copacol tem viveiro próprio, onde produz 1 milhão de mudas por ano, e mantém parceria com prefeituras para mais de 1 milhão de mudas.
PredominânciaO reflexo das ações da cooperativa, de estímulo à cafeicultura, é expressivo e na área da Copacol os sistemas de plantio adensado e convencional o cultivo chega a 5 mil hectares. O adensado já predomina, com 2,7 mil hectares, e sua área deve dobrar em poucos anos. Cerca de mil produtores cooperados dedicam-se à cafeicultura, a maior parte deles residentes no município de Jesuítas, onde está instalada a Unidade de Recebimento e Beneficiamento de Café da cooperativa.
Também há lavouras, em menor escala, nos municípios de Formosa do Oeste, Iracema do Oeste e Nova Aurora. A safra deste ano começa a ser colhida logo, e a cooperativa espera receber mais de 600 mil sacas nas duas próximas safras.
Café & soja‘‘Definitivamente, a atividade voltou a ser uma excelente opção para as pequenas propriedades’’, afirma o presidente da Copacol, agrônomo Valter Pitol. No comparativo com a soja, por exemplo, o café mostra-se altamente vantajoso. Um hectare pode render 100 sacas de café limpo e, considerando-se que o preço da saca está em R$160,00, a receita é de R$16 mil. Uma boa safra de soja rende 120 sacas por hectare e, como a saca vale aproximadamente R$18,00, a receita é de R$2,16 mil. ‘‘Apesar dos custos da produção do café serem maiores, o resultado final ainda é muito maior em relação à soja’’, observa Valter Pitol.
Marcando o crescimento da cafeicultura em sua região, a Copacol realizou na semana passada, em Jesuítas, o Café Tech Show, que ressaltou a recuperação de área, elevação da produtividade e qualidade dos grãos produzidos. O diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Roberto de Abreu, classificou o evento como ‘‘o maior do gênero em âmbito nacional’’, e acrescentou que a região passa ‘‘por uma revolução’’, que proporcionará ‘‘riqueza ao campo, geração de mão-de-obra e recursos públicos para os municípios’’. Roberto de Abreu salientou que o café representa 4% a 5% do Produto Interno Bruto do País.
QualidadePara o deputado federal Moacir Micheletto (PMDB), associado da Copacol, a cooperativa e os agricultores ‘‘está dando demonstração de que a pequena propriedade, na qual seja empregada tecnologia adequada, é plenamente viável, sempre que conte com o amparo do cooperativismo forte, como ocorre aqui’’.
O parlamentar observou que os associados da Copacol produzem café que concorrerá com o extrafino colombiano, ‘‘colocando o Brasil novamente no seu devido lugar no cenário internacional, como um país grande produtor e que produz com qualidade’’. A qualidade do café produzido na área de atuação da cooperativa foi destaque em recente exposição realizada em São Francisco (EUA), organizada pelo Ministério da Agricultura, com participação de diversos Estados brasileiros.
‘‘Essa condição foi colocada para o mercado americano com muita ênfase, o que prova que o nosso café tem qualidade para se inserir tanto no mercado interno como no externo’’, comenta o presidente da cooperativa, que aproveitou o Café Tech Show para o lançamento da pedra fundamental de sua indústria de café.
IndústriaA projeção é que até o final do ano, seja com industrialização própria, ou terceirizada, o produto chegará às prateleiras de supermercados. No ano passado, a cooperativa colocou em funcionamento sua Unidade de Recebimento e Beneficiamento de Café, que tem capacidade para receber até 3,6 mil sacas em coco, podendo beneficiar 1,2 mil sacas por dia. A unidade tem 2,2 mil metros quadrados, com depósito, setor de beneficiamento, moega e limpeza de máquinas, sala para amostragem e prova do café e depósito de palhas com sistema de filtros de manga com mil metros cúbicos.

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