Cooperativismo: um exemplo de união
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de julho de 2008
Carlos Yoshio Murate 
Quando o cooperativismo surgiu na Inglaterra, em 1844, o mundo vivia uma revolução econômica e social. Era a época das transformações industriais e do surgimento das grandes corporações.
Diante de um novo panorama econômico, os pequenos empreendedores estavam cada vez mais isolados e perdendo competitividade. Foi então que 28 tecelões da cidade Manchester perceberam que, com a força da união, os que são pequenos podem se tornar grandes.
Assim surgiram os sete ideais cooperativistas: livre adesão; gestão democrática; participação econômica; autonomia e independência; educação; formação e informação; intercooperação e responsabilidade social e ambiental. Mesmo com algumas mudanças, a essência desses ideais rege o sistema cooperativista até hoje.
Juntos, aqueles artesãos conseguiram prosperar e competir em pé de igualdade com as grandes empresas do setor. Mas com uma diferença: enquanto as empresas mercantis eram, na essência, uma união de capital, o cooperativismo era uma união de pessoas.
Nesses mais de 160 anos de história, o sistema sobreviveu a diversas mudanças econômicas, sempre em constante evolução. Segundo dados da Aliança Cooperativa Internacional (ALI), mais de 800 milhões de pessoas são associadas a alguma cooperativa no mundo. Somente em postos de trabalho direto, o cooperativismo emprega mais de 100 milhões de pessoas nos cinco continentes.
No Brasil, o cooperativismo chegou oficialmente em 1899, na cidade de Ouro Preto (MG). Hoje, muitas décadas depois, as cooperativas têm papel fundamental na economia do país. Juntas, as 7,6 mil cooperativas associadas à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) faturam mais de R$ 70 bilhões por ano, gerando negócios para cerca de sete milhões de associados.
Dentro desse contexto, o Paraná é cooperativista por excelência. É aqui que se encontram as maiores cooperativas brasileiras, destacando as que atuam no setor agropecuário. Em um estado considerado celeiro do País, as cooperativas comercializam mais da metade da produção agrícola do Paraná, segundo dados da Organização e Sindicato das Cooperativas Paranaenses (Ocepar), mostrando a importância do sistema para a produção de alimentos e geração de renda.
Muito se discute sobre a escassez de alimentos no mundo e, nesse momento, é importante lembrar à sociedade brasileira a importância das cooperativas nessa questão. São elas que levam tecnologia e informação para milhões de produtores rurais, fazendo com que os limites de produtividade sejam superados a cada safra.
Além de gerar renda para milhares de municípios, já que muitas vezes são as cooperativas as maiores empregadoras das pequenas cidades do interior.
Mais do que renda, o sistema cooperativista cria ainda oportunidades de desenvolvimento social. Atuando em conjunto com a comunidade, as cooperativas apóiam e incentivam diversas ações sócio-ambientais. Somente no Paraná, as cooperativas estão cheias de bons exemplos de responsabilidade corporativa, buscando o ideal de sustentabilidade.
Hoje o mundo atravessa outro momento de transformação e é impossível não fazer uma analogia com os primórdios do cooperativismo. Vivemos a revolução da informação, em que tudo está conectado e as grandes corporações se fortalecem a cada nova fusão empresarial.
Como no século XIX, hoje são as cooperativas que atuam como o braço social da globalização, propiciando aos pequenos produtores a união necessária para competir em um mercado cada vez mais globalizado. Para fazer, deste mundo, um lugar mais justo.
CARLOS YOSHIO MURATE é diretor-presidente da Integrada Cooperativa Agroindustrial, de Londrina.


