Estamos comemorando, neste sábado, 7 de julho, o 79º Dia Internacional do Cooperativismo. No mundo inteiro esse movimento abriga cerca de 800 milhões de cooperados que, extrapolados ao âmbito de familiares e colaboradores, somam mais de 3 bilhões de pessoas. Significa dizer que cerca da metade da população mundial está sob a égide da cooperação. As cooperativas, em todo mundo, passam por um forte processo de reestruturação semelhante ao que ocorre junto às empresas mercantis. O processo de globalização induziu a mudanças significativas nas sociedades cooperativas, mas manteve intocável a característica fundamental que diferencia as sociedades cooperativas das mercantis, que é a equidade do valor do voto,independente do capital que detenha na sociedade.
Nos países ricos e desenvolvidos, o Cooperativismo se recicla, se fortalece e mantém a sua ideologia de defesa da somatória das economias individuais de milhares de cooperados nos seus diferentes ramos de atuação. As cooperativas se aglutinam, realizam parcerias e se integram para enfrentarem em igualdade de condições as grandes corporações econômicas.
Nestes mesmos países, o Estado tem interferido pouco no funcionamento das sociedades cooperativas, mas cobra com rigor ações dentro das regras da autogestão, ao contrário daquilo que ocorre nos países em desenvolvimento, onde o Estado, em muitos casos, tem sido o entrave ao crescimento e desenvolvimento do Cooperativismo.
No Brasil, apesar dos inúmeros artigos em defesa do Cooperativismo inseridos na Constituição de 1988, o governo, ou parte dele, que desconhece o sistema, vem adotando procedimentos em prejuízo ao seu desenvolvimento. Como exemplo, citamos a cobrança do PIS/Cofins das cooperativas, mesmo sendo um ato inconstitucional, as restrições impostas às cooperativas de consumo e trabalho, as medidas adotadas em cima das cooperativas que atuam na área de saúde, não levando em consideração as suas particularidades.
Lamentavelmente, o desconhecimento das autoridades sobre o importante papel das cooperativas na geração de empregos e excelente instrumento de distribuição de renda, faz com que se penalize o melhor instrumento que se dispõe para ampliar o número de empregos no país, que é o Cooperativismo.
Em que pese todas estas dificuldades, o cooperativismo paranaense vem apresentando significativa participação na economia do Estado em todos os setores em que atua. São 192 cooperativas em 9 ramos (agropecuário, consumo, crédito, educacional, habitacional, infra-estrutura, saúde, trabalho e turismo), com 191.282 cooperados que, somados aos familiares e colaboradores, perfazem 1 milhão de paranaenses.
Participam ativamente do setor agropecuário, com mais de 50% do PIB do setor, com agroindústrias de soja, suínos, aves, leite, cevada e lácteos. Cresce de forma organizada o número de cooperativas de crédito rural e urbano, como resposta à incapacidade do sistema financeiro de atender adequadamente aos agricultores e trabalhadores.
Na área da saúde destacam-se as cooperativas médicas e odontológicas no atendimento à população. O cooperativismo de trabalho, em todas as suas vertentes, é a grande solução para o desemprego, em que pese a forte ação de cerceamento ao seu crescimento, exercido pelo governo.
As cooperativas educacionais, de consumo, de infra-estrutura, turismo e habitacionais são exemplos de estruturas que têm como escopo a defesa e fortalecimento das ações de seus cooperados.
O Cooperativismo do Paraná é um forte instrumento de desenvolvimento dos municípios, pois com sua ação interioriza a economia, investindo na própria região os resultados financeiros alcançados. É impossível realizar uma boa safra no Paraná sem a atuação das cooperativas, o que evidencia a sua importância no contexto econômico do Estado.
O autor é engenheiro agrônomo, presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná - Ocepar

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