Jota Oliveira
Comemora-se hoje, 3/7, o Dia Internacional do Cooperativismo, um sistema com menos de 200 anos, sujeito a mudanças importantes, que já estão sendo discutidas em escala mundial, para serem adotadas a partir do Século XXI.
Quem diz é o presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Roberto Rodrigues, um dos gestores do novo cooperativismo: ‘‘Em primeiro lugar será preciso mudar o conceito de liderança...’’ Hoje, o cidadão é eleito para a direção de uma cooperativa, por seu peso político na comunidade dos agropecuaristas, por ser um bom sujeito ou por ser indicado por um bom sujeito que vem presidindo uma cooperativa. Assim como um prefeito elege seu sucessor.
Esse bom sujeito vai ter do seu lado aliados fortes, a base que o elegeu. E, por imposição estatutária, precisará ouvir opiniões dos cooperados, antes de tomar decisões. Rodrigues acha que chegou a hora do profissional competente, capaz de eleger prioridades em meio a crises ou situações de emergência. Assim, o presidente bonzinho dará lugar ao executivo de pensamentos rápidos e decisões pessoais.
O espírito comunitário do cooperativismo continuará, porém, assentado em estruturas ágeis capazes de brigar no mercado globalizado, onde grandes empresas transnacionais são as donas do poder. Para enfrentar essa poderosa concorrência, o sistema cooperativo também precisará ser poderoso. E só terá força, se for grande.
Discute-se a necessidade de fundir cooperativas. O presidente da ACI lembra do exemplo da Holanda, onde há 35 anos havia 1.400 cooperativas de leite. Hoje tem 14 e a produção dobrou nesse período. No Brasil existem 1.300 cooperativas de produção, incluindo as destinadas ao leite e seus derivados. Fala-se, nas reuniões que debatem alterações no cooperativismo, que menor número de cooperativas no Mundo poderia significar cooperativas mais fortes. O assunto continua em discussão; as mudanças não serão tomadas daqui a seis meses, ou um ano.
O cooperativismo tem sido acusado de má-administração, que já causou o desaparecimento de muitas empresas, mas por outro lado é reconhecido, principalmente, como a ‘‘única arma’’ do lavrador que necesssita de recursos (dinheiro e insumos) para desenvolver sua atividade; de dinheiro e equipamento para colher, caminhões para transportar sua produção, silos e armazéns para estocar, acesso aos mercados nacional e internacional; preços adequados e outras condições para trabalhar e ser remunerado por isso.
E cooperativismo não é apenas para pequenos, médios e grandes produtores. Quando se pensa em associativismo, pode-se imaginar os microprodutores como sendo ainda mais necessitados de uma estrutura desse tipo ou de outra forma de apoio, como a integração a empresas responsáveis que lhes garantam os meios de produção, preços e mercado.
Exemplo de pequenos produtores são os horticultores, os granjeiros, os fruticultores - atividade nova que está sendo estimulada no Paraná pelo Estado até nas vilas rurais, que estão acrescentando a fruticultura ao café adensado, como fonte de renda que lhes permita viver, se assim desejarem, apenas do trabalho em seus módulos mínimos de produção. O Governo do Estado, para isso, lançará quarta-feira, em Marilena, no Extremo Noroeste do Paraná, um novo programa, que vem complementar o programa das ‘‘vilas’’: o programa ‘‘Sócio da Vila Rural’’, que prevê a assinatura de convênios com empresas privadas, para fomentar atividades apropriadas a áreas pequenas como os 5 hectares distribuídos a cada família moradora daquelas vilas.
O autor é editor da Folha Rural.

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