Berço do cooperativismo brasileiro, o Paraná ainda é considerado pelo setor como uma escola de associativismo. No País apenas 8% da população faz parte de algum tipo de cooperativa, enquanto no mundo o índice de cooperados é de 35%, o que representa mais de 2,4 bilhões de pessoas. Entre os paranaenses 20% tentam colher os resultados dessa forma de pensar o homem e a sociedade que, cada vez mais, aparece como uma alternativa para diminuir as desigualdades sócio-econômicas.
Responsável por um crescimento na participação do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná de 9,7%, em 2000, para 18% em 2005, com previsões de investimentos de R$ 795 milhões, em 2006, o cooperativismo faturou no ano passado R$ 16,5 bilhões.
Porém, em 2005, houve uma queda nesse faturamento em relação ao ano anterior, que bateu o recorde dos últimos anos ao faturar R$ 18 milhões.
''O mercado não tem reagido como a gente pensava. Operamos vários produtos abaixo do preço mínimo, principalmente grãos. Dois fatores contribuiram para isso. O primeiro é o menor volume de produção em consequência do clima, seguido pela queda nas exportações em função do dólar baixo'', afirma o superintendente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken. O organismo representa e defende os interesses do cooperativismo e sindicalismo cooperativo paranaense, além de prestar serviços para o desenvolvimento dessas sociedades e de seus cooperados.
Apesar da queda significativa dos números, o cooperativismo no Paraná é responsável pelo recolhimento de R$ 700 milhões em impostos por ano, apontando para investimentos de cerca de R$ 3 bilhões até 2010 em programas de agroindustrialização um passo à frente para garantir mais rendimentos aos cooperados que, tradicionalmente, no primeiro sábado de julho, comemoram o Dia Internacional do Cooperativismo.
Desde que, em 1844, no bairro de Rochdale, em Manchester, na Inglaterra, cerca de 30 tecelões fundaram a Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale, que o cooperativismo se tornou uma alternativa econômica.
No Brasil, o movimento começou em 1847, com a organização de um grupo de europeus nos sertões do Paraná ao criarem a colônia Tereza Cristina.
''A cooperativa é a forma de organização, que visa maior renda. No Paraná, 20% da população está ligada a algum tipo de cooperativa, com 400 mil cooperados e 228 cooperativas. Isso representa 50 mil postos diretos de trabalho. Pela nossa tradição, podemos dizer que temos uma escola de cooperativismo. Não dá para dizer que é o melhor, já que temos boas experiências em São Paulo, Minas Gerais e Ceará, mas é possível afirmar que somos uma escola de cooperação'', destaca Ricken, acrescentando que 60% do que é produzido no campo no Paraná vem das cooperativas.
No Paraná, as cooperativas têm ainda importante papel no total da capacidade de armazenagem, sendo responsáveis por 54% da safra. ''Não é possível pensar em qualquer safra sem essa estrutura'', observa José Roberto Ricken.

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