Curitiba - As cooperativas paranaenses estão preocupadas com a possibilidade de redução no plantio do milho na próxima safra. O Paraná se destaca como maior produtor nacional do grão, com uma produção anual de 9,5 milhões de toneladas, e se não forem fixadas regras claras para o plantio imediatamente, o produtor vai deixar de plantar o milho para plantar a soja, prevê o analista econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti.
O ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes prometeu avaliar medidas adicionais ao Plano de Safra 2002-2003 para incrementar o plantio de milho em reunião que vai ocorrer em Brasília, no próximo dia 10. O governo deverá fixar um valor para os contratos de opção, instrumento pelo qual o produtor de milho vai pagar um prêmio para exercer o direito de vender a produção pelo preço fixado pelo governo, no período de colheita.
No Plano de Safra 2002-2003, anunciado esta semana, o governo já corrigiu o preço mínimo do milho em 28%, passando de R$ 7,43 a saca para R$ 9,50. ''Só isso não basta, o agricultor quer saber quanto estará valendo o seu produto na hora da venda'', disse o analista. Segundo ele, para evitar o desestimulo ao plantio o governo deve fixar o preço do milho pelo menos a metade do valor da soja. Ou seja, se há indícios que o valor da soja vá atingir em torno de R$ 30,00, com a desvalorização cambial no panorama interno e valorização da cotação do grão na Bolsa de Chicago, a cotação do milho deve ser fixada em torno de R$ 15,00 a saca, explica.
Em discussão com representantes da cadeia produtiva do milho, as cooperativas sugerem ao governo federal elevar o limite de financiamento para a cultura do milho de R$ 250 mil para R$ 300 mil na safra 20022003. Outra sugestão é a adoção de um programa de distribuição de sementes de milho de qualidade para os pequenos produtores. Na expectativa de conseguirem uma boa produtividade, eles seriam estimulados a plantar o milho e não a soja, disse Mafioletti.
Outra preocupação das cooperativas para estimular o setor, é o lançamento imediato do seguro-agrícola do milho. A sugestão é que o governo subsidie em 50% o valor do prêmio pago pelo agricultor para aderir ao seguro-agrícola do milho. ''São medidas discutidas entre as cooperativas e também com os representantes da cadeia produtiva que visam dar sustentação à produção de milho no País'', justificou o analista.

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