Cooperativas x Cooperados
Élio Cesar Maruch
O assunto é complexo, porque implica um aspecto filosófico do cooperativismo: o conceito doutrinário de corrigir o social por meio do econômico. Não podemos trabalhar crises individuais. Com a globalização da economia, a cooperativa não pode se ater à prestação de serviços pura e simplesmente. Precisamos garantir competitividade ao associado, com a nossa entidade também competindo, através de maior eficiência operacional com redução de custos e excelência gerencial.
Muitos produtores rurais no Brasil estão inadimplentes. Normalmente são pessoas honestas e de reputação inatacável, mas foram atingidas pelo rolo compressor:
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- da política monetária (juros altos);
- da política cambial (inibidora de exportações);
- da política de importações (juros baixos e prazos longos);
- da política tributária (impostos escorchantes);
- do protecionismo explítico dos países desenvolvidos.
Esses produtores não repartiram apenas a sua renda, mas sua honra. É preciso achar um caminho, recuperando a renda do associado, aumentando a produção global e, portanto, a capacidade de barganha da nossa instituição.
A economia nacional apresenta-se com uma novidade importante: de dois anos para cá, ‘‘patrimônio não responde mais por dívidas’’.
Na inflação alta, o crescimento do valor patrimonial compensava os juros que alimentavam as dívidas. Isso acabou, principalmente no meio rural. As fazendas e seus implementos estão perdendo valor, enquanto os juros continuam trabalhando sábado, domingo, feriado, semana Santa e Natal. Com isso precisamos redobrar os cuidados para a preservação do setor.
Por conta da globalização os ‘‘de fora’’ vão comprando nossos bancos, nossas reservas minerais, florestas, Avenida Paulista, a Grande ABC, etc. Em troca continuaremos comprando deles: hot dogs, Mc Donald, Coca Cola, roupas usadas para os brechós, filmes pornográficos, medicamentos experimentais, máfia japonesa, pneus meia vida, modelos de igrejas eletrônicas, bonés e camisetas do Michey, do Hard Rock, de heróis e super-heróis alienígenas (nenhuma do Pelé), armas de todos os calibres, uma IBM, uma Nipon Steel ou uma fábrica de queijo francesa, falida que seja, Temos que exaltar nossas instituições, que nos mantêm, tanto os proprietários como os funcionários, com a certeza de um salário, num país de desemprego e subemprego.
O autor é engenheiro agrônomo, gerente do departamento Técnico da Coprocafé, de Cornélio Procópio.

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