Cooperativas têm interesse em interromper vacinação
Os pedidos de participação da indústria da carne no debate sobre o fim da vacinação contra a febre aftosa encontram aliados entre as cooperativas do Estado. Assessor da gerência técnica da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Alexandre Amorim Monteiro, afirmou que é interesse de associações do tipo em tornar a região uma área livre da doença sem imunização. "Para a suinocultura e a avicultura são só ganhos, porque amplia mercados."
Monteiro considerou que algumas agroindústrias já colocaram recursos à disposição da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) para a compra de equipamentos. Porém, ele mostrou preocupação com o investimento público em barreiras físicas e fundos de controle, diante da situação de crise econômica que assola a maior parte do País.
Para ele, outro problema é a resistência de parte dos produtores, o que faz com que a indústria de carnes evite entrar no debate. "A Sociedade Rural (do Paraná) tem grande força política e a posição deles é contrária ao fim da vacinação, então precisamos de harmonia para que todos se unam para tomar decisões", disse. "É um desafio, porque em alguns momentos uns vão perder e outros ganhar, mas, de forma geral e em longo prazo, os ganhos serão maiores e para todos", completou.
DIFICULDADE
Produtor de gado no Paraná, André Carioba questionou o interesse da indústria no fim da vacinação do Estado. "Os maiores beneficiados nessa questão são os grandes frigoríficos e aqui temos apenas pequenos e médios", disse.
Ele também lembrou que as grandes empresas demoram muito para transmitir a margem de lucro aos fornecedores, o que dificulta a negociação. "Somos os últimos a ter benefício, mas teremos de ser os mais responsáveis", disse. "Tem de ser uma decisão em que todos possam ganhar e não pode um só ficar com o prejuízo." (F.G.)





