Cooperativas seguem apreensivas com o resultado da safra
Responsável pela maior parte do recebimento de grãos no Estado, as cooperativas paranaenses estão apreensivas quanto ao andamento da safra. O assessor técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, confirma que na região Norte do Estado a situação está bem mais complicada. Segundo ele, 75% da área de soja pode ser prejudicada devido ao deficit hídrico.
As cooperativas que ficam no Oeste e Sudoeste do Paraná relatam que os produtores conseguiram plantar no tempo certo com um clima mais favorável, por isso não deverão ter problemas nesta safra. Nas regiões mais críticas, Mafioletti comenta que, se voltar a chover, poderá haver uma melhora no índice de produtividade, "mas quem plantou mais tarde pode ter comprometido a sua safra", destaca.
No Norte e Noroeste do Estado, o assessor da Ocepar lembra que quem plantou entre os dias 10 e 15 de outubro poderá ter uma produtividade maior. "É claro que devemos considerar um clima normal dentro dos parâmetros para o período", salienta. Mafioletti completa que há esperança de vir um clima mais favorável daqui por diante, podendo restabelecer as áreas atingidas pela estiagem. Contudo, ele não descarta perdas em produtividade.
Ele frisa que o atraso das chuvas preocupa, mas nos meses de novembro a dezembro as precipitações devem ser mais regulares. Mas, no momento, Mafioletti destaca que a situação está crítica, com áreas que já necessitaram de replantio. Além disso, comenta o assessor, tem áreas em que a soja já floresceu. A falta de água pode ser muito prejudicial nesta fase.
Cases
Atuante no Norte do Estado, o corpo técnico da cooperativa Integrada de Londrina espera com ansiedade a ocorrência de uma chuva. Irineu Baptista, gerente técnico da cooperativa, afirma que, por enquanto, não há perdas de produção nas áreas dos cooperados, só casos específicos de replantio. Contudo, se o clima continuar seco, a situação pode piorar, devendo também alterar a janela de safra, comprometendo o plantio do milho na próxima segunda safra.
Neste ciclo, a Integrada espera receber 14 milhões de sacas de soja, 3 milhões de sacas a mais se comparado ao ciclo 2013/14, período que registrou uma forte quebra de safra devido também a uma forte estiagem que atingiu o Paraná no começo do ano. "Os eventos de perdas estão se repetindo", lamenta o gerente técnico. Ele estima que cerca de 5% das lavouras pertencentes à cooperativa já foram comprometidos com a estiagem.
No Noroeste do Estado, a cooperativa C.Vale tem observado casos localizados de forte estiagem. De acordo com o engenheiro agrônomo Enoir Cristiano Pellizzaro, algumas áreas de soja tiveram que ser replantadas. "Mesmo assim, é cedo falar em quebra de safra, mas a produção brasileira vai ser comprometida", frisa. Ao todo, a cooperativa C.Vale estima receber 25 milhões de sacas de soja na safra 2014/15. (R.M.)





