Foto: OceparExportaçãoDescarga de soja no terminal da Cotriguaçu no Porto de ParanaguáAs cooperativas de produção agrícola do Paraná estão se preparando para o processo de abertura há quatro anos, e agora o produtor está acordando para essa realidade, afirma o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski. ‘‘Mesmo assim existem muitas dificuldades a serem superadas, acrescenta. Ele defende a aglutinação de cooperativas, para aumentar a capacidade de produção e disciplinar a oferta de produtos para exportação.
Koslovski acredita que, para o pequeno produtor, o processo de adaptação será a longo prazo, devendo se estender por pelo menos mais cinco anos até que ele se conscientize realmente da necessidade de modernizar sua estrutura produtiva e adotar tecnologia para aumentar a produtividade. Já os médios e grandes produtores entraram mais cedo nessa disputa e por isso estão mais preparados, afirma. O presidente da Ocepar prevê que até o ano 2.000 o Brasil esteja mais preparado para enfrentar a globalização da economia. As cooperativas mais estruturadas estão aptas a enfrentar o desafio.
DinamismoSegundo Koslovski, a expectativa da cooperativa Batavo é avançar de um faturamento anual de US$ 350 milhões a US$ 400 milhões para US$ 1 bilhão, em dois anos e meio. Para isso já desencadeou um processo de elevação da produtividade, ‘‘cujos reflexos estão evidentes no aumento de produção’’: a cooperativa recebia 700 mil litros por dia em 1996 e este ano deverá registrar uma média de recebimento de 1 milhão de litros por dia.
Na avaliação do cooperativista, o processo de globalização é ‘‘muito violento’’. Por isto ele prevê que muitos produtores e mesmo cooperativas serão incapazes de acompanhar os preços dos produtos agrícolas, ‘‘que já estão bastante deprimidos’’. A globalização econômica, afirma, ‘‘é uma realidade. Se as integrações começam a acontecer em todo o mundo, numa clara demonstração de que a distância física já não é mais fator de limitação da integração, o cooperativismo precisa observar com mais carinho essa possibilidade. Para o presidente da Ocepar, as cooperativas precisam se adaptar às mudanças e não ficar fora dessa ‘‘onda’’, em relação ao processo de globalização da economia. Apesar de todos os percalços, ‘‘a globalização é inevitável e imprescindível para quem desejar se estabelecer e competir, e até mesmo, sobreviver num mercado cada vez mais disputado’’, admitiu.
EstratégiaA Ocepar desenvolveu um planejamento estratégico para o ano 2.000, a ser executado em três fases. A primeira delas é a necessidade de modernização e profissionalização da empresa cooperativa. Essa estrutura é fundamental para avançar e trabalhar, para que o produtor cooperativado adote novas tecnologias. ‘‘Se hoje o grande problema do produtor é a competição acirrada e somente, vai vencer essa batalha, quem recorrer a recursos tecnológicos, então não tem mais o que discutir, senão se render à essa condição para conseguir mais produtividade’’, avaliou Koslovski.
Para ele, com exceção da produção de soja, as cooperativas brasileiras não são competitivivas em relação às cooperativas européias. ‘‘Na média, nós perdemos e muito em relação à Europa’’, salientou. Portanto, conseguir que o produtor adote tecnologia já é o primeiro passo para competir com as empresas lá fora, lembrou.
A terceira fase do processo de modernização é a busca do mercado. Segundo Koslovski as cooperativas deverão buscar a integração em termos de mercado, através de parcerias, joint-ventures, com o objetivo de aumentar o poder de barganha com o comércio exterior. Para o sucesso dessa integração ele aposta no peso do cooperativismo paranaense, que movimenta um faturamento anual de US$ 5 bilhões, entre as 201 cooperativas existentes no Paraná. O maior volume de recursos é proveniente das 55 cooperativas de produção do setor agropecuário.
ParceriasAs parcerias e as integrações vão proporcionar às cooperativas alcançar uma produção em escala, para aumentar a participação no mercado e mais disciplina na oferta de produtos. O ponto alto desse processo de integração comercial é produzir alimentos com mais qualidade e oferecer a preços mais baixos, prevê. ‘‘As cooperativas que não conseguirem se enquadrar nesse novo cenário, não terão condições de oferecer seus produtos a nível internacional’’, adverte.
Da mesma forma que as cooperativas não organizadas dificilmente vão conseguir se inserir no processo de globalização da economia, Koslovski prevê as mesmas dificuldades para os pequenos produtores. Para ele, a única forma de o pequeno produtor se viabilizar economicamente daqui para frente ‘‘será através de uma cooperativa moderna e participativa no mercado internacional’’. Ele aponta como exemplo de produção bem sucedida a soja e, no setor de carnes, a produção de suínos e de aves, que estão mais modernas e competitivas. O próximo passo, afirma, é partir para o desenvolvimento de uma marca estadual, para ter mais presença no mercado.
Para o Mercosul, Koslovski defende uma atuação complementar entre os sistemas produtivos dos quatro países, devendo ser descartada a competição que atualmente predomina entre eles. ‘‘Devemos atuar com uma visão mais ampla de mercado, para oferecer produtos em bloco’’, conclui o presidente da Ocepar.

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