Cooperativas precisam 'sair da arquibancada e entrar no jogo da agricultura digital'
O olhar para a agricultura 4.0 - pensando em todos os recursos financeiros e técnicos que ela exige - nos faz pensar que é majoritariamente para os grandes produtores. De fato, empresas e startups que atuam neste novo cenário olham geralmente com foco maior para este perfil de produtor, mas o Paraná tem um potencial enorme para expandir este conceito.
Os pequenos e médios agricultores do Estado se tornam muito fortes quando estão inseridos nas cooperativas. Sistema de sucesso que pode sim investir na agricultura digital e com tudo que ela envolve transformar as propriedades paranaenses, mesmo que elas sejam de menor porte.
Cezar Luiz Bernardon é CEO da Datacoper, empresa com sede em Cascavel que está há 27 anos no mercado. A empresa de tecnologia sempre teve um olhar muito atento ao trabalho das cooperativas, projetando e desenvolvendo soluções tecnológicas para embasar o planejamento e a execução de processos e ações estratégicas nessas empresas do agronegócio. Para Bernardon, as cooperativas ainda não estão, de forma geral, com os olhos voltados para a agricultura 4.0 e toda essa onda que está vindo com a transformação digital. "As cooperativas desenvolvem papel estratégico no desenvolvimento econômico, social e de proteção do cooperado. Eu vejo que elas não estão sabendo lidar com a velocidade que a agricultura digital está vindo e qual impacto que isso pode gerar nos modelos de negócios mais tradicionais. É como se estivessem assistindo o jogo das arquibancadas. É preciso sair da arquibancada e entrar em campo."
Essa digamos, letargia, ao cenário pode fazer com que as cooperativas percam espaço para as grandes empresas do setor, que estão entrando na agricultura 4.0 de cabeça. "É uma tendência dessas indústrias buscar acesso direto ao produtor. Com a tecnologia, (esse movimento) fica mais fácil. Num primeiro momento o produtor rural pode acreditar que está ganhando nesse processo, vendo oportunidades diretas dos fabricantes, mas depois ele pode ficar à mercê das estratégias das grandes empresas."
Sem generalizar, existem algumas cooperativas do Paraná que estão atentas a todo esse movimento. Caso da Cocamar, que por meio de um projeto piloto está utilizando uma plataforma digital do agronegócio desenvolvida pela Farm Go, uma startup de Maringá cuja a Datacoper investe há três anos. A plataforma integra histórico de safras, informações de clima, imagens de satélite, drones, sistemas de alerta, relatórios, mapeia pragas e doenças, entre outros serviços. "A Cocamar está pensando em levar essas tecnologias aos cooperados e conectando tudo isso com o portal da cooperativa. Ela está percebendo essa onda e buscando interpretar esses dados, um olhar atento mesmo que ainda seja num projeto piloto." (V.L.)





