IndústriaMoinho das cooperativas, em Palotina: capacidade duplicadaEmbora o drástico enxugamento de área em todo o País nos últimos anos, o trigo continua sendo motivo de grande empenho de cooperativas agropecuárias do Oeste paranaense, no estímulo aos cooperados para o plantio, e com investimentos na industrialização dos grãos. No final da semana passada, as associadas da Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), elevaram substancialmente a capacidade de seu moinho instalado na cidade da Palotina.
A capacidade de moagem passou de 200 para 400 toneladas ao dia, e a estocagem subiu de 4,3 mil para 21,8 mil toneladas. Os investimentos foram de R$4,5 milhões. A Cotriguaçu investira R$ 7,2 milhões na primeira etapa do projeto, iniciado em 94. Com a ampliação, as cooperativas da região passaram a ter a terceira maior capacidade de moagem no Estado, atrás apenas de um moinho de Curitiba e outro de Ponta Grossa, mas sua capacidade é a maior entre as organizações sediadas no Paraná.
O moleiro Vitório de Vivvi e ‘‘suas’’ máquinas
ProduçãoA indústria tem equipamentos importados da Itália, automatizados, permitindo maior qualidade e rapidez na moagem - aos nove bancos de cilindros anteriores, foram acrescentados outros nove. Os equipamentos também permitem empacotamento com embalagem tipo ‘‘big bag’’ (1.025 quilos), para fornecimento de farinha a indústrias de massas, e de 50 quilos para padarias. Breve, será lançada uma pré-mescla especial com ingredientes prontos para a produção de pão, em embalagem de 25 quilos.
O presidente da Central, Fábio Rosso, informa que as cooperativas da região garantiram 100 mil toneladas de trigo (recebidas de seus associados na safra deste ano) para alimentar o moinho, permitindo sua operação até setembro de 98, quando começará a entrar a nova safra. Em 96, a produção de farinha chegou a 72,9 mil toneladas. Atualmente, cerca de 65% da produção estão comprometidos com indústrias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Rosso observa que a globalização da economia ‘‘é grande desafio, que provoca inquietações’’. O presidente da Cotriguaçu destaca, no entanto, que, ao mesmo tempo, ‘‘abrem-se oportunidades para a economia de escala e para quem saiba investir com inteligência’’. Ele lembra que individualmente as cooperativas filiadas também avançam com importantes indústrias, principalmente frigoríficos de frango recentemente construídos, ou com capacidade de abate ampliada.
Edson MazzettoSilvestre Squizatto, produtor de trigo
O diretor-secretário da Central, Sebaldo Waclawovsky, diz que estes investimentos são possíveis ‘‘pela integração existente no sistema cooperativista da região, e entre as entidades e suas bases, os cooperados’’. Sebaldo informa ainda que o laboratório existente no moinho de Palotina foi credenciado pelo Ministério da Agricultura, para expedição de laudos oficiais de análise de farinha e de trigo. A Central tem o segundo laboratório credenciado no Paraná para esta finalidade.
O moinho tem como moleiro o italiano Vitório Vivvi, 56 anos, nascido em Modena, que chegou ao Brasil aos 15 anos de idade. A família Vivvi tem tradição no setor. O pai de Vitório, Francesco, tinha moinho na Itália, e em 53 veio para o Brasil, para trabalhar em moinho no Rio Grande do Sul. Dos tempos pioneiros aos dias de hoje, Vitório afirma que a evolução do produto que sai dos cilindros é gigantesca. ‘‘Hoje, nossa tecnologia é igual à de qualquer país avançado’’, diz.
Vitório Vivvi observa que, além de equipamentos modernos, é indispensável que a matéria-prima seja de qualidade superior, ‘‘para que o produto final também o seja’’. Segundo ele, de modo geral, ‘‘o trigo produzido aqui é tão bom ou melhor que o importado’’ - segundo a Comissão Nacional de Abastecimento, a importação anual entre 91 e 97 foi de cerca de 5,4 milhões de toneladas, para um consumo de 8,5 milhões de toneladas anuais de farinha.
A produção nacional vem sendo reduzida paulatinamente, porque os agricultores reclamam da política agrícola do governo, da facilitação das importações em detrimento da oferta interna; dos preços, e do clima - principalmente da geada. O agricultor Silvestre Squizatto, 43 anos, dono de 12 alqueires no município de Cafelândia, vizinho de Cascavel, não está entre os que reclamam. Silvestre não tem dúvida: com boa semente e adequadamente cultivado, o trigo ‘‘dá certo’’. Silvestre é associado da Cooperativa Agrícola Consolata (Copacol), que, assim como as demais da região, está empenhadas em estimular a triticultura. Desde 1981 ele ocupa toda sua área com trigo, no inverno, e só perdeu uma safra, por causa de geada forte. ‘‘É preciso saber plantar’’, comenta o agricultor, observando que é possível obter receita 50% acima do que é investido na produção, se a produtividade for adequada.
Silvestre Squizatto conhece bem de produtividade. Nesta safra choveu em excesso. Isto comprometeu o resultado da lavoura, e sua produtividade ficou em 127 sacas por alqueire (52 sacas por hectare). No ano anterior, em condições climáticas normais, foi o melhor produtor de sua cooperativa: em 5 alqueires (2 hectares) que selecionou para um concurso, obteve 213 sacas (88 sacas/hectare). e na média geral nos 12 alqueires (4/9 ha), 190 sacas (76 sacas/ha). Ele usou a mesma cultivar usada por outros produtores que participaram do concurso. Estes obtiveram, na média, 180 sacas/alqueire (74 sacas/ha).
Agricultores que não utilizaram a cultivar limitaram-se a cerca de 130 sacas por alqueire (53 sacas/ha). Segundo Silvestre Squizatto, vale a pena gastar um pouco mais em tecnologia, na etapa de plantio e acompanhamento às lavouras, para ganhar mais no final. O produtor está consciente de que ‘‘o erro’’ está em querer economizar antes, ‘‘sabendo que a gente vai perder depois’’. Dirigentes e técnicos das cooperativas da região concordam, alertando que triticultura é atividade reservada a quem profissionalizar a produção.

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